Quarta-feira

Da série: Quadrinhos na Web


...bota sacanagem, nisso!

Domingo



Passeia

.tua

.boca

em

mim

até

me

calar

(Jorge Vercilo)


(foto retirada do site: http://dhararubens-sensual.blogspot.com/)

Sábado

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O ÚNICO SILENCIO QUE PERTUBA, É
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AQUELE QUE FALA. E FALA ALTO...
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Eu acredito em Deus.
Mas não sei se o Deus em que acredito é o mesmo Deus em que você, que me le agora acredita, ou o balconista, a professora, o porteiro aqui do prédio. O Deus em que acredito não foi globalizado.
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O Deus com quem converso não´é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono.
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O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
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O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do meu vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão. Ave-Maria, pai-nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
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O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência e sobre tudo sobre a violência com crianças, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?
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O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita na igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. é onde tudo acontece e tudo se resolve.
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Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo. Meus Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: uma abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio. É onipresente, mas não onipotente.
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Meus Deus é humilde. Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri. Quem não te sorri não é cúmplice.
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Terça-feira

Quanto Mais Vela Mais Acesa

Um dia quando eu não menstruar mais
vou ter saudade desse bicho sangrador mensal
que inda sou,
que mata os homens de mistério.

Vou ter saudade desse lindo aparente impropério,
desse império de gerações absorvidas.
Desse desperdício de vidas
que me escorre agora mês de maio.

Ensaio: Nesse dia
vou querer a vida
com pressa,
menos intervalo entre uma frase e outra,
menos res-piração entre um fato e outro,
menos intervalos entre um impulso e outro,
menos lacunas entre a ação e sua causa
e se Deus não entender, rezarei:
Menos pausa, meu Deus,
menos pausa.

Domingo

Da série: Quadrinhos na Web


Sábado

Só Amar Não Basta...

Por mais que o poder e o dinheiro tenha conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e que justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí??

Depois que acaba essa paixão retumbante, sobra o quê? O amor. Mas não o amor mitificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos: o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filhos e amigos. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos saudade, quatro tipo de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge, ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia se eterna.

Casaram. Te amo para lá, te amo para cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto tem que haver muito mais que amor, e às vezes nem necessita um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor, só, não basta.

Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber relevar. Amar, só, é pouco.

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, independência, um tempo para cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem: às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, solamente, não basta.

Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
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Sexta-feira




Sábado

Madame Bovary

"... Ele abandonou o último resquício de reserva e consideração.

Transformou-a em algo complacente, corrupto. "


(uma referencia sexual do livro - Madame Bovary)

Sexta-feira

Mudanças dos Ventos











Ah vem cá meu menino,

Pinta e borda comigo

Me revista, me excita

Me deixa mais bonita











Ah, vem cá meu menino,

Do jeito que imagino

Me tira essa canseira

Me tira essas olheiras

De esperar tanto tempo

A mudança dos ventos

Prá eu me sentir com forças

Prá eu me sentir mais moça











Ah! vem cá meu menino,

Pinta e borda comigo

Me revista, me excita,

Me deixa mais bonita











Ah! vem cá meu menino,

Do jeito que imagino,

Me tira essa vergonha

Me mostre, me exponha

Me tire uns vinte anos

Deixa eu causar inveja

Deixa eu causar remorsos

Nos seus, nos meus, nos nossos.


( Ivan Lins & Vitor Martins )

Quinta-feira

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Sou uma mulher
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que quer sempre mais
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e confundo mesmo
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ternura com eternidade
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Segunda-feira

Mulher de Um Homem Só

Ela é como urso panda, está quase extinta do planeta. Quando alguém a ouve dizendo “sou mulher de um homem só”, corre para o celular mais próximo e chame a imprensa para documentar. Quem é, afinal, essa mulher tão rara?

A mulher de um homem só casou virgem com escritor que detesta badalação. A última festa em que ele compareceu foi a do seu próprio casamento, a contra-gosto. Ele só gosta de música barroca, uísque e poesia. Não quis ter filhos. É um homem terrivelmente só que se casou apenas para que alguém cozinhasse pra ele, pois odeia restaurantes.

A mulher do homem só tenta animá-lo. Convida-o para subir a serra e comer um fondue. O homem faz que não com a cabeça. A mulher convida para ir a uma feira de antiguidades. Ele dá um sorriso sarcástico. Ela convida para ir na Casa Cor . Ele tem espasmos. Ela convida para um teatro. Ele pega no sono antes que ela diga o nome da peça.

O homem só gosta de ficar em casa. Não vai ao cinema, nem a parques, nem a bares. Não visita ninguém. Não votou na última eleição. Não comparece às reuniões de condomínio. Tem alergia a gente.

A mulher do homem só tentou festejar os 50 anos dele. Convidou os poucos conhecidos do marido: um irmão, o editor e a mulher dele. Comprou cerveja, colocou CD do Paulinho da Viola e flores nos vasos. Os convidados chegaram e se foram sem ouvir a voz do homem só. Ele apenas resmungou um obrigado quando recebeu um livro do editor e disse qualquer coisa inaudível ao ganhar meias do irmão. Passou calado a noite inteira. Quando pediu licença para ir ao banheiro, não voltou mais.

A primeira vez que a mulher do homem só disse “sou mulher de um homem só” foi para o motorista de taxi, que ficou impressionado. Ela era jovem, bonita, mas tinha uma tristeza comovente no olhar. Era última corrida dele e, impulsivamente, convidou-a para uma caipirinha. Ela aceitou e, pela primeira vez em muitos anos, teve uma noite animada.

A segunda vez que ela disse “sou mulher de um homem só” foi para o vizinho do sexto andar. Estavam sozinhos no elevador e ele fingiu não ouvir. Nunca haviam trocado nem um bom-dia, quando mais uma confidência. Mas ela repetiu: “sou mulher de um homem só” . Desta vez falou de um jeito tão carente que ele se viu obrigado a tomar uma providência. O sexto andar acabou malfado no prédio.

A mulher do homem só, então, passou a ter a agenda cheia: o professor de computação, o gerente do banco, o dono do posto de gasolina. Vivia para cima e para baixo com seus novos amigos: cinema, shopping, vernissages. Não corria o risco de encontrar o marido em nenhum desses lugares. Começou a usar decotes, maquiagem e ria alto. Nunca se sentia tão feliz. Surgia cada dia com um parceiro diferente nas festas, nas inaugurações de lojas, nos passeios pelo mercado público. Ganhou má fama. E quando mais o povo falava, mais ela desdenhava. Ninguém fazia a idéia do que era ser mulher de um homem só.



(Jornal Zero hora - M.Medeiros)

Terça-feira


Segunda-feira

A visita - VERISSIMO

O Marquês de Sade faz uma reverência quase até o chão. Está recebendo Leopold von Sacher-Masoch para chá em sua residência.

- Meu caro von Masoch! Que honra recebê-lo em meu humilde chateau!

-Meu caríssimo Marquês. Enfim, nos encontramos!

- Deixe-me tirar esse pesado casaco de farpas que carregais sobre a pele.

- Pode deixar, eu gosto assim.

- Entrai, entrai.

von Masoch entra no salão principal e Põe-se a examinar a decoração.

- Que bela coleção de miniaturas! Oh, uma guilhotina de dedo. Funciona?

- Experimente.

Zupt!

- Charmat! – diz von Masoch, mostrando o toco do dedo decepado.

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- Querido von Masoch, por que nunca nos encontramos antes?

- Talvez porque não somos contemporâneos. Você é de quando?

- 1740 a 1814. Você?

- 1835 a 1895.

- Seria mesmo difícil. Mais razão para desfrutarmos este encontro fictício. Sente-se.Sente-se.

- Uma cadeira de pregos! Senhor Marquês!

- Mandei prepará-la especialmente para sua visita...

- A manisfestação mais alta do espírito humano é a hospitalidade.

- A fidalguia obriga.

- Retribuirei sofrendo, para o vosso deleite.

- Não esperava outra coisa de uma sensibilidade tão nobre.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
- A cadeira está suficientemente desconfortável, herr von Masoch?

- Sim. Perfeita. Obrigado.

- Como querei vosso chá?

- Fervendo.

O Marquês prepara-se para servir o chá, mas von Masoch recusa a xícara.

- Pode ser na mão mesmo.

O Marquês despeja chá fervendo na mão do visitante, que geme.

- Aaaahnnn... Obrigado. Está delicioso, De alguma forma, eu sabia que você seria o anfitrião perfeito.

- Posso oferecer, a seguir, canapés, éclairs ou chicotadas.

- Chicotadas, por favor.

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Sade e Masoch, finalmente juntos. De certa maneira, somos a dupla definitiva. Uma síntese humana, nos extremos da paixão. O prazer de dominar, o prazer de ser dominado. O êxtase de ser soberano, o êxtase de ser submisso. Pode-se dizer que a História da humanidade não passa de um minueto metafórico que dançamos juntos, através dos tempos.

- Essas chicotadas...são para agora?

- Somos o egoísmo humano na sua forma pura, além do bem e do mal. Somos a racionalização dos instintos, e a bestificação da razão. Chegamos à extrema lucidez do homem, que é reconhecer nas suas próprias taras o que tem de mais humano.

- Por favor . As chicotadas ...Eu as aceito.

- E o mais terrível. Somos os únicos seres sobre a terra que não podem viver sozinhos. Se Deus tivesse criado Masoch, teria que tirar sua costela para fazer de Sade. Sem anestesia, claro. O que quer dizer que também somos, à nossa maneira, símbolos da cooperação entre os homens.

- Senhor Marquês, não quero ser impertinente, mas...As chicotadas.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
- O sádico e o masoquista são os únicos seres genuinamente sociais da Criação, pois precisam um do outro. Eles não se bastam. Não se satisfazem sozinhos. Sem o outro não são nada.

- Quero as chicotadas agora!

- Não.

- O quê?

- Não vou chicoteá-lo.

- Mas...Sr.Marquês! É seu dever de anfitrião.

- Não.

- Eu quero ser chicoteado. Eu preciso ser chicoteado. Eu exijo ser chicoteado.

- No meu chateau, só chicoteio quem eu quero.

- Mas...Isto é sadismo! Da pior espécie!- Obrigado, obrigado.

E o Marquês faz outra mesura, quase até o chão.

A Mulher que Quiser Ter Um Físico Desse...

Vai ter que malhar muiiiiiito !!

Sábado

o ano virou
o tempo esquentou
alguém lembrou da cuíca
o carnaval gritou
dentro de mim
agora
meu soluço de tamborim
já ganhou a avenida
eu não entendo o porquê
de tanta batucada
se teu coração
nunca mais desfilou pra mim



(do livro "do açúcar à pimenta", de Charles Silva)

Segunda-feira

Mário Quintana:



"Os que fazem amor,

não estão apenas fazendo amor.


Estão dando cordas

ao relógio do mundo".

Domingo

.
ele diz que me ama, deseja

me quer para sempre, me pede

para ser sua mulher, me corteja

me faz confissões, me venera

me dedica músicas, me beija

implora meu sim, me calo

depois penso melhor, que seja

.

Sexta-feira

"essa é a mulher que me arrebata,
me beija a boca e balbucia versos,
votos de amor e nomes feios

a única entre todas a quem dei
os carinhos que nunca a outra daria
essa mulher que a cada amor proclama a miséria e

a grandeza de quem ama
e guarda a marca dos meus dentes nela
essa mulher é um mundo!

uma cadela... talvez!
mas na moldura de uma cama,
nunca mulher nenhuma foi tão bela."

vinícius de moraes

Sempre ter boa educação:



Peçam licença.

Por favor.

Digam obrigado.

E não falem de boca cheia! rsrs

















Sábado

Digamos que você não seja assim
tão seguro e inteligente como diz
vai ver me trai toda semana
levaria pra cama minha melhor amiga
faria intriga a meu respeito
falaria mal dos meus defeitos
garanto que não usa o sapato que dei

pode ser que você não goste
dos beijos que diz gostar
faz tudo só por fazer e me testar

vai ver não tem nem emprego
pede dinheiro emprestado
bate com o carro no meio fio
você não tem nenhum caráter
passou por mim e fingiu que não viu

vai ver você morre de medo
de se olhar no espelho de dia
seu saldo está no vermelho
seu cão morto de fome
e você com raiva da vida
digamos que você não seja solteiro
e eu entrei numa fria.

















Não morro de amores

por pessoas sem mistério

quando se é muito transparente

muito risonho e educado

é raro ser levado a sério

prefiro os mais silenciosos

os que abrem a boca de menos

os mais serenos e mais perigosos

aqueles que ninguém define

e que sempre analisam os fatos

por um novo enfoque

prefiro os que têm estoque

aos que deixam tudo à mostra na vitrine

Sexta-feira

Homens que têm tudo

Estamos em um shopping em busca de algo que se não sabe direito o que é e muito menos onde encontrar: um presente para o homem que tem de tudo.

Quem são os homens que têm tudo?

Os muito ricos? Os que viajam com freqüência? Os que já passaram dos 40?
Sim, todos eles, e também os remediados, os que nunca botaram o nariz para fora do bairro e os que têm pouca idade.

Todos os homens do planeta, aparentemente, têm tudo. É a única explicação para o tormento que é encontrar um presente que seja original, útil e que eles gostem de verdade. Presentear os homens é uma das tarefas mais difíceis na vida de uma mulher.

Meia e gravata: essa dupla não é para qualquer homem, e também está condenada. Por mais que ele anseie pela tabelinha, ela só deve ser acionada em caso de desespero. Virou símbolo de falta de imaginação.

Camisa pólo. Ele deve ter de todas as cores. Usa para ir ao cinema, ir na padaria, trabalhar, almoçar fora, comprar jornal e ir a academia. Quando surge você com o pacote na mão, ele faz aquela cara falsa de surpresa e, depois de colocá-la em frente ao peito e constatar que você errou no tamanho, ele dobrará e guardará no lugar de sempre: lá onde estão as outras trezentas.

Pijama: Hoje em dia tem uns que são umas gracinhas e podem deixá-los bem sexy, caso ele colabore. Mas ao abrir o presente, as luzes se apagam...a casa ganha um ar de jubileu e o coitado, instantaneamente, fica grisalho e cansado da vida. Ano que vem, chinelos. E um cachorro.

Se ele não for de beber, menos uma opção. Mas se for...

Bebida. Ele já foi um sujeito normal: bebia de vez em quando com amigos. Passados alguns anos, começou a beber mais, e hoje é um porre atrás do outro. Você vai continuar dando bebida para o sujeito em questão?

Seria tãoooooooooooo mais fácil se os homens gostassem de colares, anéis, bolsas, lencinhos tigrados, guardanapinhos de papel, porta retrato, flores, trilha sonora de novela, maquiagem, meia calça, langeries,. Mas, não. É só meia dúzia de opções, tudo preto ou marrom, de preferência de couro para usar no pé ou no escritório. Merecem quilos de pesos de papel os chatos.

Ainda tem os tecnológicos de ponta. Um guia de viagem 4Rodas?! ...ele tem um navegador GPS no carro. Relógio??...ele tem no mínimo 2 celulares, sendo um rádio, outro smartphone Palm ou um iPhone! DVD?? ...eles são feras em ‘baixar músicas e vídeos no seu performático notebook, religiosamente . Aff!...

É claro que tem saída. Você pode dar um livro, por exemplo. Fininho, com letras bem grandes e dividido em vários capítulos, para que ele leia num momento de folga, ou seja, never!

Você pode dar uma cesta com quitutes variados: patezinhos, salgadinhos, azeitonazinhas, cajuzinhos, tudo aquilo que ele não consegue segurar com os dedos (risos).

Você pode dar uma gravura, um par de tênis, um Box do seriado ou cantor/a preferido dele, jogos de computador, garrafinha de whisky de bolso forrada em couro, tacos de golfe. Uau, que homem sofisticado.

Enfim, você pode dar o que quiser que ele, com certeza, não vai gostar. Homens só gostam de brinquedos. Brinquedões enormes, com 4 portas, 16 válvulas, motor potente, air bag e direção hidráulica. O resto eles têm.

Quinta-feira

beije me as coxas
pálpebras, dedos, lóbulos
os dois

beije me os seios
um e outro, que são ciumentos
ambos

beije me os lábios
superior e inferior
os grandes e os pequenos
todos

Sábado

Desejo um 2009 do jeito que a gente quiser!!

Esse texto que é da Patrícia Antoniete, poeta lá do sul, que escreve lindamente.

"Não se engane, meu amor, não se engane. A vida não passa. A vida fica, cada vez mais.
Sabe aquele sorriso de ontem, o menino chorando agarrado ao pai, a bomba de creme da padaria, a vez que mandaste o chefe à merda, o gemido de prazer, o gol perfeito, o sol sobre o mar e o vento com maresia, o anel perdido, a tarde de férias, o amigo morto, o cheiro do cabelo da primeira namorada, a irritação com o taxista, a cerveja gelada entre os amigos que não mais se encontraram, o dia do casamento, a palavra mais dura de todas, o porre de Ano Novo, o cigarro na janela sobre os telhados, o abraço no saguão do aeroporto, o bolo de Fubá da avó, o livro roubado da biblioteca, a gripe mal curada, a manhã de domingo, o café com pão quentinho, o assalto à mão armada, a nuvem em formato de cachorro, aquele poema inacabado, a covardia de não ter tentado, o amor impossível?

Fica. Tudo isso e todo o resto ficam.

A vida fica nos olhos, nas mãos, nas rugas nos cantos da boca, nos cabelos que aos poucos ganham as cores do tempo e dos invernos, nas pernas mais fracas, mais bambas, mais trôpegas e cada vez mais cansadas de levantar depois de cada tombo.

A vida fica cada vez mais nos pulmões e no peito, com rastros de gritos e gargalhadas, soluços, rancores, tristezas, nas costas fica a vida como cicatriz das asas arrancadas, dos punhais, no encurvar dos ombros que suportam a carga dos anos e das culpas, fica a vida, cada vez mais a vida, que nunca passa. Fica nos planos dentro da gaveta, trancados e cheirando a mofo, fica na boca com gosto de comida e riso, de beijos, das palavras que não queríamos ter dito, das palavras que não deveríamos ter deixado de dizer.

Não se engane, meu amor, não se engane. A vida não passa, não. A vida fica, cada vez mais, sempre e sempre mais.

Fica incrustada na pele que ganha marcas, que perde a cor, que fica opaca.

Fica nas artérias, nos lábios que enrugam dos carinhos e dos assovios, das músicas e orações desaprendidas, nos ouvidos que vão ensurdecendo de desouvir.

Fica nos pés tortos e calejados do andar incessante do mundo, no ventre que vai secando de desistências e recomeços, nos olhares cegos de desatenção e desmemória, nos braços enfraquecidos pela solidão construída palmo a palmo ao nosso redor, nas frustrações e nas canalhices, nas pequenas maldades debaixo das unhas, nas desconfianças mesquinhas atrás das orelhas, no amargo da língua cheia de ressentimentos.

A vida não passa, meu amor, não se engane. A vida não passa, não. Nada disso vai passar.
O tempo minora e ajeita, recobre a pele arrancada, mata o viço do brilho de outrora, mas a vida fica, sempre e cada vez mais, e se acumula e nos torna exatamente aquilo que fizemos e faremos dela. Exatamente.

Portanto, meu amor, tenhamos coragem.
Façamos com a vida o que queremos que ela faça de nós."

Quinta-feira

Tudo o que você sabe sobre traição pode está errado

Abaixe a guarda e prepare o coração para ouvir sobre um dos temas mais explosivos da vida a dois


- Amor é uma vacina que imuniza a todos contra o vírus da infidelidade, certo?

Errado!

- Mas a traição não destrói a vida amorosa?

Bem, não é exatamente assim...


A ala masculina considera que a infidelidade faz parte de sua natureza poligâmica. Os homens podem amar a esposa e desejar outras mulheres sem grande conflito. Já as mulheres, tradicionalmente educadas para associar sexo e amor, consideram que traição só é possível quando não se ama mais o parceiro, e sim outra pessoa.

Dependendo do tipo de traição, as reações variam. Uma pulada de cerca eventual, além de ser mais difícil de ser descoberta, não cria um vínculo. Por isso, é mais fácil de perdoar, raramente abala um casamento estável. Já um caso de longo prazo mexe com o relacionamento oficial e também com a estabilidade psicológica do infiel”. Afinal, trair dá trabalho: haja fôlego para inventar desculpas e atender demandas emocionais e sexuais de duas pessoas ao mesmo tempo.

E a responsabilidade pela traição não é só do traidor, pois essa atitude geralmente está relacionada à complexa dinâmica da vida a dois. A fidelidade é um pacto que o casal tem que validar a cada momento, não apenas no dia do casamento.

Mas uma coisa é certa. Quando a verdade vem à tona, a relação estremece.

Quem ama de verdade pode trair, sim.

Mesmo que ame sua mulher, o homem justifica a infidelidade pelo desejo de novidade e aventura, porque surgiu a oportunidade, por crises pessoais ou no casamento. Já as mulheres dizem trair por sentir falta de carinho e atenção ou por achar que não são mais desejadas pelo marido. Há também aquelas que traem para revidar as escapadas do parceiro. Mesmo pessoas felizes no casamento às vezes traem por curiosidade, para testar o poder de sedução ou para chamar a atenção do cônjuge.
E outro motivo, que vale para os dois sexos: alguns traem para reviver aquela sensação de excitação do início do namoro. Por isso, é importante o casal investir sempre no erotismo.

A traição nem sempre é inevitável em relações de longo prazo

A receita? A base desses casamentos é a amizade e a cumplicidade. Os casais sentem que isso é especial, não querem se arriscar a perder por causa de uma atração sexual passageira. Existem etapas críticas que deixam os casamentos mais vulneráveis à infidelidade: nos dois primeiros anos, quando a paixão perde o fôlego; por volta dos dez anos, quando o sexo costuma ficar mais morno; e em torno dos 20 anos, sobretudo se o casal não resolveu bem crises anteriores.

Não há um certo tipo de pessoa que trai.

Não há um perfil único, pois a ocasião também faz o infiel. Quando a oportunidade se apresenta, as pessoas mais mpulsivas podem ter dificuldade de resistir ao desejo. Por outro lado, há um tipo com maior predisposição. É o caso da figura muito narcisista, que tem dificuldade de criar vínculo afetivo e é movida pela necessidade de testar continuamente o seu poder de sedução. Seja homem ou mulher, em geral é alguém com auto-estima bastante comprometida, que procura se afirmar por meio das conquistas.

A traição não destrói o casamento

Na maioria das vezes o casamento continua, seguem juntos. Porém, permanecer na relação não é necessariamente sinônimo de felicidade conjugal, muitos não se separam por conveniência, por causa dos filhos, para não dividir os bens. “Na prática, vivem divorciados emocionalmente. Apenas alguns casais superam a traição e faz dessa experiência uma alavanca para melhorar o casamento. São aqueles que conseguem mudar o padrão do relacionamento: descobrem o que os afastou e se reaproximam, passam a cuidar mais da relação.

O parceiro traído nem sempre sabe que isso está acontecendo

Até porque nem todo mundo quer esclarecer a questão. Boa parte dos homens diz preferir não saber se a mulher trai. Desde que ela pareça fiel, para eles está tudo bem. Já as mulheres, buscam o tempo todo provas da fidelidade ou infidelidade do marido. No entanto, ainda que captem sinais, tanto elas quanto eles relutam em admitir a situação.
Dá medo de encarar a verdade. Mesmo quem sente que há algo errado precisa passar por um processo interno para admitir. E há quem ache mais confortável fingir não saber.

Homem trai mais do que mulher

Sim.
Há controvérsias sobre quanto a mais.

Meu nome..ninguém tem...será eu, ninguém??

Outro dia, me dei conta de que não conheço nenhuma Walcléa. Nem no meu tempo de colégio, nunca tinha na minha classe. Nunca foi um nome popular como Andrea, Carla, Claudia, Rosana as campeãs absolutas de ocupação de espaço nas listas de chamada. Havia muitas Elianes também. E Márcias. Não sei onde foram parar aquelas colegas – Nenhuma xará! Não há nenhuma até hoje em minha volta.

Tornei-me uma Walcléa solitária. Uma única Walcléa.
As novelas de TV estão cheias de Helenas, Lúcias e Marinas . Walcléa que é bom, nadica de nada.

Em busca de uma Walcléa perdida, fiz uma pesquisa no Google, digitei apenas Walclea, assim mesmo, sem acento para ver quem aparecia...Sem nenhum sucesso na busca.
Meu nome não está com nada mesmo.

Parti para segunda inserção.
Vamos em frente: com acento, agora. Walcléa
Cheguei, então, ao site da prefeitura de.... . Meu Deus, onde fica isso? ....

O segundo da lista do Google nome foi uma surpresa: Eu também estou lá na pesquisa do Google.

Mas, peraí, como fui parar na internet?

Cliquei para ver o que acontecia.
O resultado foi esse blog, uma postagem que assinei meu nome.
Resultado foi frustrante.
Em outras palavras: meu nome é ninguém :/

Quarta-feira

Metáforas para o rancor

Não adianta fazer metáforas para compreender o rancor inato de alguém.

Só há rancor onde houve história e, se houve uma história, houve também leveza...

No último vendaval, uma árvore caiu na rua, despencando grotesca e sem amparo, mas algumas

folhas desgarradas cairam leves, pousando nela, depois.

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Quinta-feira

Pequeno recado


Quando você se aninhou perto eu dessa vez, pensei...tenho para oferecer o meu carinho e alguma poesia.
Venho tentado fazer isso, te dar, te entregar o que vens buscar. Com minhas mãos, com minhas palavras, quando podes vir, quando queres ganhar.

O bem que isso me faz, isso eu sei.
Algum bem isso te traz ou não estarias vindo receber.

É natural acontecer que um de nós venha querer alguma coisa mais, e que um de nós ganhe do outro algo que nem mesmo queria receber. Ou peça o que o outro não tem pra entregar.

Quando isso acontece (e acontece várias vezes) é que se instala entre duas pessoas aquilo que as faz se machucarem, se desentenderem, sem saber o que fazer com aquela coisa que o outro entregou sem que se tenha pedido, ou com aquilo que não entregamos porque não tínhamos pra dar.

Assim sendo, meu encanto
preciso te perguntar a resposta que nem sei se tens para dizer:

diz o que que é que você quer de mim, saber isso é o que eu quero agora de você.
O resto, lá fora, não tem importância alguma neste momento, pois o que importa do mundo está aqui dentro, entre a tua mão e a minha.

No entanto, doce poesia, se não é claro o que queres de mim, se não tens como explicar o que de mim queres, façamos o seguinte:

entre nacos de silêncios e gemidos, façamos o amor do jeito mais intenso e leve que nos seja permitido alcançar.
Do jeito mais bonito que somos capazes.
Então, o mundo irá parar com todas as suas máquinas e quinquilharias, para escutar o que nós dois temos a dizer.

Pode ser, meu poema?


Mário Pirata
Poeta & brincadeiro - um marmanjo desajeitado, descatador de caramujos, descascador de sonhares - mais ou menos um encantador de histórias, um falador/fazedor de poemas.




Hipotireodismo

Essa doença vai

miNANdo

a minha

von-ta-de,

a minha

disssssssposição,

de
va
ga
ri
nho...

É um horror!!!



Sintomas do hipotireodismo:

  • pele seca
  • unhas quebradiças
  • constante queda de cabelo
  • dificuldade de dormir e depois de dormir acordar várias vezes durante a noite
  • dores de cabeça
  • irritabilidade
  • angústia, sensação de estar deprimida
  • dificuldade de perder peso e muita facilidade em ganhar
  • necessidade de dôces
  • cansaço constante
  • falta de energia

Synthroid é um remédio p/ hipotireodismo, que eu tenho que tomar durante all my lifetime..... Forever and ever.

Serve para dá uma certa equilibrada nos sintomas... Aff! :/

Quarta-feira

AS AMARRAÇÕES PERFEITAS PARA CONTROLAR (OU NÃO) O DESEJO

Ninguém sai impune à realização dos próprios desejos. Ainda bem. Há dias em que a gente quer ser bem castigadinha. Cá entre nós, que graça tem bancar sempre a boa moça?!
.

Quando ele entrou no quarto, camiseta branca colada ao corpo, jeans descolado, olhos de lince percorrendo minhas colinas, logo vi que a noite seria insana. Ele tinha a segurança dos veteranos num semblante de novato, a combinação exata dos gestos doces com a frieza do carrasco. Pendurou no cabide a jaqueta de couro que trazia jogada sobre o ombro. Do bolso da mochila, puxou um cigarro. Acendeu com um isqueiro prateado, numa pequenina chama a gás. Deu um trago profundo. Recostou-se, um pé no carpete, o outro no grande espelho da parede e, numa pose displicente e ereta, me analisou. O silêncio e a fumaça era tudo o que havia entre nós

Sentada numa poltrona, a três metros de distância, com uma taça de vinho na mão e a curiosidade entorpecendo-me, esperei-o fumar. Um ar de mistério pairava entre a intensidade das coisas que ele não dizia e os movimentos que ele deixava de fazer. Quieto e sorrateiro. O que ele estaria arquitetando? Ele era de poucas palavras. Também, com aquela boca apetitosa, quem pensaria em conversar? Tivemos toda falta de pressa do mundo para nos observarmos. A cada tragada, nossas retinas entranhavam-se uma na outra, mais e mais. A cada gole, passeávamos um pelo corpo do outro.

Gostei desse jogo de entranhamento e estranhamento inicial. Deu uma quebrada na dimensão do tempo. Um minuto de silêncio entre quatro paredes com um desconhecido parece uma eternidade. Você entra numa espécie de transe, as sensações tornam-se tangíveis, o cheiro condensa, os ouvidos aguçam-se. A pele sente a carícia do olhar e, sobretudo, as chibatadas rasantes que pequenos gestos, como ondas, propagam pelo ar.

Ele apagou a guimba no espelho e jogou-a no chão. Estava escrito em seu rosto que ele sabia o que fazer. Moveu-se em minha direção. Um espasmo aflito desprendeu-se de mim. O simples descolar de seus lábios revelou-me um abismo de perdição. De súbito, meu espartilho carmim encolheu. Um tesão avassalador queimou-me. A fumaça já não era de cigarro: era meu peito em chamas. Na penumbra daquele quarto de motel, ferormônios piscaram feito vaga-lumes. Fechei os olhos.

Dedos-formiguinhas deslizaram sobre a minha mão, antebraço, ombro. Próximos ao pescoço, saltaram de pára-quedas e recomeçaram o percurso, desta vez ziguezagueando entre os poros arrepiados. Na terceira vez, fui catapultada do prazer ao susto: um tapa seco estalou na minha cara. Saí do transe, abri os olhos. Ele estava face a face comigo. Ajoelhado entre as minhas pernas, puxou-me o maxilar com delicadeza. A língua contornou o desenho da minha boca, lambeu os cantinhos, insinuou-se sem entrar. Anestesiada, não reagi quando, sem pedir licença, o músculo morno invadiu-me a garganta.

Não me desnudou. Soltou as quatro presilhas, arrancou minha calcinha, abotoou novamente. Fiquei com um vão de pele e carne macia entre a meia de seda e o corpete. Um espaço que ele explorou com maestria. Mãos desinibidas me abriam, fechavam, tateavam contornos, coxas, panturrilhas. Abocanhadas e mordidas redesenhavam a circunferência do meu quadril. As esquinas lisinhas das virilhas. A profundidade da minha caverna. Da minha alma.

Forte feito um touro, ergueu-me nos braços e me depositou sobre a cama. Me admirei com a facilidade com que me carregou no colo. Não sou do tipo mignon e muitos homens mais encorpados já suaram nesse intento. Ele nem pestanejou. Força bruta: eis um ponto importante a ser avaliado se porventura e loucura da minha cabeça eu estivesse pensando em me deixar imobilizar por ele. É óbvio que eu não deveria. E não recomendo. Shibari, a técnica japonesa de amarrações com cordas, requer cumplicidade e confiança total. É um alto risco praticá-la com um desconhecido. Mas, ah, se seguíssemos a razão,sexo perderia a metade da graça

Ser marionete não me saía da cabeça. Tem dias que estou a fim de servir. Às vezes gosto que me digam o que fazer, que me provoquem, inclusive que me imponham o que devo querer. Tortura sem dor é tão bom. Existe coisa melhor do que uma técnica com estimulação erótica constante e crescente, em que você fica impossibilitada de se safar e, quanto mais se debate, mais tesão sente? Não há. O shibari é imbatível. Por isso a fama, o reconhecimento, a legião de adeptos. E a minha insanidade em ceder-me sem limites

Ele nem perguntou. Sacou um bolo de cordas da mochila e, enquanto me desembrulhava do espartilho, me arrematava com amarras. Passou três voltas sob os meus seios, três acima e, com uma terceira corda, amarrou na vertical as outras duas, torcendo bem, deu a volta no meu pescoço, como um top frente única e finalizou nas costas. Achou confuso? Você não imagina as outras seqüências que ele criou. A noite entrou pela madrugada. O moço mostrou-se um artista. Meu ego como musa inspiradora foi pra estratosfera. Se é que algum dia tenha ficado abaixo disso.rs

Ao terminar, acendeu outro cigarro. Me admirou. Tirou fotos. E a camisa. Até então, só eu estava nua. Ele, compenetrado, me trabalhou como a uma obra-prima. Deixou-me inteira amarrada à cama, cordas comprimindo pontos "G", descomprimindo gemidos. De quatro, crucificada em diagonal, fiquei vulnerável a qualquer intenção dele, boa ou má. Ele era bonzinho, aliviou-me nós apertados em troca de beijos. Ele foi mau:tirou a calça. Mamãezinha. Foi nessa hora que exclamei "misericórdia". O músculo morno a invadir-me a garganta agora era outro.

Mal pude me defender. Fui abusada em todos os orifícios. Abuso é uma forma carinhosa de chamar aqueles arrombamentos. Estocadas violentas, lentas, generosas, nada gentis, carícias eletrizantes, palmadas rápidas, uma verdadeira aula de golpes orientais. Golpes baixos. Alguém tem dúvida que vou virar freguesa? Devia ser geneticamente proibido alguém nascer com tantos centímetros quando muitos sobrevivem com tão poucos. Refiro-me à grossura. Ao comprimento, meu bem, só vendo pra crer.

Agora estou aqui, numa banheira de salmoura para curar as feridas, tomando um chá de melissa, degustando os momentos vividos. Acredite você ou não, só no final da sessão me dei conta: Ele não emitiu uma sílaba sequer. Partiu com suas cordas, seus olhos de tesão e minha vontade de quero mais. Foi embora levando o silêncio, deixando-me sem palavras.

.


http://msn.bolsademulher.com/amor/materia/shibari/45752/1/

A água é submissa, mas tudo conquista.


A água extingue o fogo ou, diante de uma possível derrota, escapa como vapor e se refaz.


A água carrega a terra macia, ou quando se defronta com rochedos, procura um caminho ao redor.


A água corrói o ferro até que ele se desintegre em poeira; satura tanto a atmosfera que leva a morte o vento.


A água dá lugar aos obstáculos com aparente humildade, pois nenhuma força pode impedi-la de seguir seu curso para o mar.

A água conquista pela submissão; jamais ataca, mas sempre ganha a última batalha..."


Segunda-feira

A Dor É Inevitável



* por Carlos Drummond de Andrade.



Nossa dor não advêm das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que os fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. *Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter pra ir ao cinema, pra conversar com um amigo, pra nadar, pra namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

*Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
**Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que esquivando-nos do sofrimento perdemos também a felicidade.

Quarta-feira

Veríssimo - 20/08/2008

Aulas de Inquietação

O Mário Quintana dizia que as guerras eram um modo prático de se aprender geografia. No noticiário das batalhas e dos territórios conquistados e perdidos se descobria o nome de lugares até então desconhecidos, e alguns se tornavam não apenas conhecidos com históricos, dentificados para sempre com o feito guerreiro que ali se desenrolava – No atual noticiário sobre a guerra em torno do prende, solta, prende, solta, algema, não algema do Daniel Dantas estamos mesmo que não todos tendo aulas diárias de jurisprudência. Mas, como os locais insignificantes que ficaram famosos só por serem o cenário de alguma batalha decisiva, os nomes de processos e recursos judiciais que ouvimos no debate retórico soam mais importantes e imponentes do que são, e ensinam pouco. O vocabulário esotérico só nos inquieta. Pois a guerra retórica é sobre diferentes interpretações do que é legal, constitucional e justo – tudo que a gente imagina já decidido e gravado em pedra.

Discute que a polícia pode ou não pode poder fazer e até o que um presidente do Supremo Tribunal Federal pode ou não fazer, e a gente aqui pensando que isso estava combinado há uns cem anos mais ou menos.

Enfim, a máxima do Quintana não se adapta ao noticiário dessa guerra sobre atribuições e métodos no nosso sistema judiciário.

Com essa guerra só se desaprende.

Quinta-feira

MISSIVA

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Essa greve dos correios me fez lembrar da minha ansiedade quando, num tempo nem tão remoto assim, enxergava ao longe o carteiro entrar na minha rua. Vibráva com iminente chegada das cartas de amigos, parentes e ...namorado, principalmente de namorados. Talvez eu devesse incluir aí os ex-namorados também.

Hoje, uma greve atrasa a entrega de coisas consideradas mais importantes, como contas, documentos e encomendas materiais, ou seja, correspondência anti-sentimental, já que cartas pessoais, escritas a lápis ou caneta, viraram peças de museu. É um recurso utilizado apenas por homens e mulheres que não possuem um computador em casa e no trabalho, e que nem cogitam entrar em num cybercafé.

Outro dia recebi uma carta, uma não. Duas! Uma do interior de Minas e outra de Canoas-POA. Cartas escritas a mão, e fiquei sem ação: como faço pra responder? Ora, bastaria pegar um papel, escrever, envelopar, selar, ira até uma agência dos correios e remeter – me lembro como faz. No entanto, para quem se acostumou com a instantaneidade do email, enviar uma carta se transformou numa via-crúcis!!!

Mesmo rendida à correspondência virtual, que dinamiza e facilita de forma estupenda a vida da gente, sigo cultivando uma certa nostalgia pela carta, aquele calhamaço em que depositávamos nossas ridículas palavras de amor, chegando a cometer poemas e decorá-los com ingênuos corações no lugar dos pinguinhos dos is. É, eu fazia isso.

Nas cartas em que contávamos detalhes sobre alguma viagem, contando da nossa vida em outra cidade, um relato minucioso do cotidiano modificado, dos novos hábitos e das surpresas da troca de rotina. Cartas com fotografias em meio às páginas, cartas com pétalas arrancadas afoitamente de um jardim , quando a viagem aprecia ser mais longe que agora, já que existem internet e webcam encurtando as distâncias. Temíamos voltar para casa antes mesmo de chegarem as tais cartas.

A carta era um abraço. Era comunhão.

Uma prova inquestionável da importância que o destinatário tinha para o remetente. O email até permite isso tudo, mas é tão fácil digitar e enviar que o feito fica sem pompa, a sinceridade parece gratuita, a ligeireza extingue a dedicação que o ato de escrever merece.

Carta, ao contrário, é um esforço. E o esforço dignifica.

12 de junho

DIA ENAMORADO



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Sexta-feira


Paulinho da Viola

...esse é elegante até na dor-de-cotovelo !



A GENTE ESQUECE



A gente esquece um samba
E faz um outro sanba
A gente perde um grande amor
A acha um outro amor

Você morreu no meu paito
e no meu peito nasceu
Não um grande amor
Mas essa indiferença sem saudade
Sem tristeza e sem rancor

A gente tem esperança
E vai vivendo

A gente canta até na hora de sofrer
Já fiz um samba que perdi
Onde eu dizia, veja bem
Que não havia mais ninguém
Senão você.




Quinta-feira

Meu nome não e Johnny.


...gostei muito desta frase dita pela juíza no filme:



" O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez uma olhar inteligente sobre nós mesmo
(...)"




E por falar no filme...

O filme foi baseado no livro de mesmo nome do jornalista Guilherme Fiúza, que conta a trajetória do traficante João Guilheme Estrella: seu início no mundo das drogas, o enriquecimento, a prisão e a ida para um manicômio onde cumpriu pena de 2 anos de reclusão.

Seu desafio era provar para a juíza Marilena Soares, considerada uma das rigorosas do Brasil, que não era um chefe de quadrilha, mas um jovem que não conhecera limites e merecia uma segunda chance.
Sua história revela sonhos e dramas comuns a toda juventude, em qualquer lugar do mundo.

Direito e Psicanálise

Sou onde não penso...

Na razão busquei o direito; no direito busquei o cidadão; no cidadão busquei o sujeito; no sujeito encontrei o inconsciente; no inconsciente perdi a razão.


Post it solto na bolsa (Folhetim)

Chica de Araque de Holambra










Se acaso me ligares
Sou dessas mulheres
Que perdem celulares, sim...
Dentro da própria bolsa
Não que eu seja sonsa
Só um pouco bagunçadim...
E à noite é o som ligado
No preto do meu carro
E o celular da mesma cor
Na minha bolsa negra
No chão escuro do auto
Não há quem veja e ouça assim
E se quiseres mesmo
Ouvir barbaridades
Sempre à meia luz
Ou me dizer “bom dia, amor”
A paciência é um dom, tu possuis?

Deixe tocar vinte vezes
Deixe tocar três meses
Até que eu encontre o aparelhim

Pois se eu não achar
Não vou poder retornar
Perdi a conta e não paguei o celular



ou...



"Descarregado"
(melodia: "Desafinado")

Se você disser que eu não te atendo, amor
saiba que perdi o carregador
só privilegiados têm dois aparelhos de celular
eu possuo apenas o meu fora do ar...

:p

Quarta-feira

DEJA VU

Luis,

sei bem do que você vai me chamar. Louca. Mas talvez você tenha um motivo, basta que leia esta carta até o fim. De louca você me acusará e tem a prova nas mãos.

Tive um sonho esta noite. Eu caminhava entre uma multidão e, na direção contrária, vinha um homem. Ele trazia uma mochila nas costas. Nossos olhos se cruzaram e eu tive certeza de que era ele. Que seria meu. Que era amor que eu aguardava. Tinha um rosto familiar. Era o irmão de uma amiga da adolescência. Eu vi o irmão dessa garota apenas uma vez na vida, aos 15 anos. Não entendo, nunca troquei palavra com esse cara, nunca mais o vi depois dos 15, nem perto, nem longe. Não sei se hoje é casado, gay, bispo, em que país vive, e se vive ainda.

Lembro apenas do seu nome. Wellington.
Eu e Wellington roçamos um olhar penetrante no meu sonho, então ele passou por mim, e eu por ele, cada um no seu caminho. Alguns passos adiante virei pra trás, olhei, ele estava olhando também, mas nenhum de nós parou. Até que percebi que estava com a mochila dele em minhas mãos, e minha bolsa havia sumido. Não havia explicação. Voltei correndo para procurar minha bolsa, e procurá-lo. O ambiente parecia uma estação rodoviária. Cruzamos outra vez. Ele estava com a mochila dele. E minha bolsa estava comigo.

Sonhos são desse jeito.
Dali em diante, não desgrudamos mais. Ele me pegou pela mão, me levou para algum lugar. As mãos dele nas minhas. Como se já fôssemos namorados. Antes de, qualquer palavra. Então eu disse a ele _ e foi a única coisa dita:
se isso tudo acabar agora, vai ter valido a minha vida. E o beijei.

Dormindo, senti aquele beijo como se Wellington estivesse inteiro dentro da minha boca. Foi um beijo cheio. Longo. Delicioso.
Um beijo enorme, um beijo doce. Quente. Sexy.
Meu corpo reagiu, fiquei excitada, nesse instante houve uma fusão entre sonho e realidade, enquanto o beijava eu pensava: não acorde, não acorde. Mas esse breve instante de consciência me despertou. Eu já não era a mesma.

Luis, foi só um sonho. Mas com a carga de certeza que me perturba e dói.
Eu sou aquela mulher do sonho, atrás de um amor, encontrando um amor, e o perdendo para minha rotina matinal: acordar, tomar banho, levar o filho ao colégio, estudar, trabalhar, almoçar, morrer.

Eu vou atrás dele, Luis.
Não vou fazer terapia, não vou me afogar em uísque, não vou descontar minhas frustrações em você, não vou comprar roupa nova, não vou cortar o cabelo, não vou tomar remédio para dormir, não vou esperar meu filho crescer.

Eu vou atrás dele. Desse homem que nunca conheci de fato, mas existe de outra forma, que existe com outro rosto e talvez com outro nome, que existe no meu futuro, se o futuro eu permitir que aconteça.

Não quero mais o presente, não quero mais a paralisia, o pra sempre. Alguém espera por mim. Alguém não vê à hora de eu chegar. Eu não vejo essa hora.
Daqui, não alcanço esse sonho. Eu me vou.

Não é o momento de falar sobre coisas práticas. Se estivéssemos conversando pessoalmente, além de me agredir verbalmente, você faria perguntas irritantes: e nosso filho, nosso cachorro, dinheiro, nosso apartamento, como explicaremos, como faremos e nossa reputação, e nossa viagem de férias? Esqueça tudo isso. Me enxergue.
Eu preciso daquele beijo antes que não seja mais capaz.
Não quero amantes.
Não quero a mentira.
E nem o sonho quero mais. Eu necessito daquele beijo para seguir acordando todas as manhãs. Senão, vou desejar dormir cedo todos os dias, fugindo para poder extrair do imaginário uma vida que não tenho.
Aquele beijo me despertou para o meu vazio. Quero um amor dentro da minha boca.

Luis, antes de chamar um advogado, sente no sofá com esta carta nas mãos e chore por mim, me sinta, faço um esforço para ir além das questões burocráticas de um casamento.
Me reconheça ímpar. Impaciente. Só. Muito antes de louca. Muito antes e muito mais. Louca é pouco.

Vou passar o final de semana fora, sozinha. E, quando voltar, as perdas serão calculadas, as malas serão fechadas, nosso filho será preservado e as vidas seguidas.
E eu, então, irei atrás do meu instante.

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Sexta-feira

Campanha Francesa para prevenção da AIDS

É uma loucura pensar que a solução possa piorar o
problema, mas parece que é o que acontece em
relação a Aids.
Apesar de continuar não tendo cura, o desenvolvimento
de remédios que melhoram a vida e tiram a sensação
de morte iminente pra quem é soropositivo criou uma
falsa sensação de alívio geral: ufa, agora então não se morre mais!
E é justamente esse relaxamento do medo que faz com que
as pessoas relaxem também na prevenção, porque a gente
sabe que ninguém abre mão do prazer a não ser que as
conseqüências sejam drásticas.
Ou seja: se pra quem está doente os remédios são a
solução, pra quem está saudável eles aumentam o problema.
A gente hoje tem uma percepção completamente equivocada
de que Aids virou uma doença da África, como um dia já foi
uma doença de gays, e enquanto isso o só aumenta o contágio
de pessoas jovens, heterosexuais, brasileiras bem aqui pertinho, na Região Sudeste, no Rio e em São Paulo, na Zona Sul, na nossa rua.

Não tem essa.
Não dá pra deixar pra lá.
Taí um dia que merece ser marcado no calendário muito mais do
que os comerciais "dia das mães" ou "dia das secretárias": é um dia
no ano pra gente olhar pra vida que leva com honestidade e pensar se está sendo responsável com ela.
Devia ser todo dia, mas que seja nesse, pelo menos.

Dê um clique na figura para melhor visualização


fernanda e mário

Vim aqui dizer outras coisas, mas no caminho passei no Anotandoteatro e de lá fui parar no Semgelo e descobri que ele é blog da Fernanda D´Umbra, atriz que eu só fui conhecer agora. Descobri um monte de coisas: que estou atrasadíssima porque ela é uma atriz cheia de trabalhos, que ela é casada com o Mario Bortolotto, um puta escritor que eu não li mas morro de vontade , e que além de atriz ela é uma escritora de mão cheia!
Como gostei do blog dela fui fuçar o início de tudo, os primeiros posts, e me deparei com essa carta inacreditavelmente deliciosa, que ao descrever desse jeito amoroso a vida deles dois fala tudo que eu sinto e quero viver na minha vida aqui, tão longe e tão perto.



"Oi fernanda, escrevo essa "carta" quase certa de que ela nunca será lida, afinal tô comentando o seu post com mais de 4 anos de atraso. vim parar aqui pelo blog do fernando maatz e como gostei do que li fui fuçar os primeiros posts.

daí me deparei com a sua carta de amor tão linda e a tarde ensolarada de sábado se encheu de uma emoção antiga, da delícia de ver o meu amor espelhado nas suas palavras, da sensação incrível de que o bom não é só meu. E sendo assim mesmo sabendo que esse bilhete deve ficar perdido no tempo


escrevo pra te dizer que é linda a história e é linda a sua escrita.

se passar por aqui passa lá no striptease, vai ser um prazer receber a tua visita.
um beijo grande, walcléa."



E como admiração é das drogas que eu mais gosto, taí pra todo mundo que passa aqui o texto da Fernanda, porque os fatos são outros mas o sentimento é o mesmo.



DIA A DIA DOS NAMORADOS















Eu me casei com meu namorado de adolescência.
A Revista TPM que este mês faz uma edição casada com a Revista TRIP me pediu que escrevesse uma carta para ele. O nome dele é Mário Bortolotto e carta ficou assim:


Querido Mário,

Como fiz durante anos te escrevi uma carta e demorei tanto para postar que ela ficou velha. Então resolvi começar de novo. Era mais fácil escrever para você quando você morava longe e não sabia o que acontecia comigo e eu contava que estava doente, que não podia mais beber e você me respondia dizendo que andava viciado em Jack Daniel´s, mas que não tinha dinheiro e então tomava um conhaque vagabundo mesmo. Tive muita saudade de você, porque ficamos muitos anos separados. Você teve outras namoradas e eu tive outros namorados que me perguntavam de quem eram aquelas cartas.Eram todas do meu futuro marido, mas eu ainda não sabia disso.
Eu coloquei muitas cartas numa caixa de correio que tinha ali perto da FAAP porque eu fazia uma peça lá. Aquela caixa de correio era a coisa mais legal que tinha ali porque eu sabia que uns dois dias depois você receberia minha carta e eu poderia inventar qualquer coisa e, porque a gente não se via, aquilo seria verdade. Eu morava num prédio que não tinha elevador e uma vez caí feio na escada porque subi correndo para ler uma carta sua que tinha chegado. Fiquei com um roxo na perna e me lembrava de você: “foi o Mário”. Não tinha sido, mas eu queria que tivesse.E então um dia a gente se casou.E aquele moleque que eu achei lindo e para quem eu sorri descaradamente, que ficou conversando e bebeu comigo e tinha uma voz muito grossa que eu gostava de ouvir, o cara que tocava blues e escrevia peças e entrava em cena de um jeito que eu nunca tinha visto, meu Deus, esse cara agora era meu marido. E então eu teria que ser bacana mesmo, porque eu não podia mais escrever para você.Não podia mais me inventar para você.E eu beberia, dormiria e tomaria coca-cola na padaria com você.Apresentaria a você meu lado B e provocaria uma coleção de brigas cheia de figurinhas repetidas.Mas a gente tinha um colchão. E uma TV velha. E finalmente tínhamos um ao outro. E você era tudo o que eu queria. E todos os dias seriam plenos de amor e ódio.Ódio de ser contrariada, de ser abandonada em minha imaginação fértil e má.E você não sairia de dentro de mim nunca mais. Muitas vezes.E hoje quando você está na rua e liga para casa marcando de se encontrar comigo no cinema ou em qualquer outro lugar eu fico ansiosa e tenho taquicardia quando olho de longe e te vejo me esperando.E então eu sinto sua mão na minha cintura e sei que você é o mesmo cara que me escrevia e recebia meus postais vagabundos.E percebo que nunca, nunca mesmo, vou me acostumar com você. Você bem sabe do que tenho medo: de que você morra antes de mim e eu fique aqui com essas cartas e essas fotos.Eu que nunca me acostumei com você terei que me acostumar a viver sem você e então sentirei sua falta para sempre.E essa sim será uma grande sacanagem.Não faça isso com aquela garota que sorriu para você, roubou seu chopp e sentou no seu colo. Porque ela é sua agora.
Um beijo enorme.Com amor,Fernanda.






Toda bela tem suas feras
Sua redoma de pedra
Seu castelo de cartas
Onde na calada da noite ela cala
E fala com suas paredes
Amarrada a suas carências
Na solidão de suas preferências.

Quinta-feira

Vamos pra FEIRA?

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A mais antiga forma de comércio resiste, bravamente, em plena era do consumo informatizado, impessoal e climatizado. E tem mais: a feira livre mantém um charme retrô e romântico que desafia o tempo.
Para uma mulher, significa mais do que fazer compra, é uma verdadeira terapia!

Deixe que me explique.

A primeira sensação que eu tenho ao pisar em uma feira livre é uma elevada dose de auto-estima . Isso mesmo. Quem não gosta de ouvir: “E ai, minha princesa, não vai levar esta maçã prontinha pra ser mordida?” Ou então, “Moça bonita não paga, mas também não leva...” E também, “ Minha jovem, você é a mais bela das flôres”. As frases, ditas com entusiasmo, são de época e os comerciantes mantêm o mesmo estilo galanteador de antigamente, apenas incorporaram algumas gírias atuais.

Nesse clima de paquera artificial, não importa se a mulher é bonita ou feia, jovem ou idosa. Eles sempre têm palavras gentis e até sedutoras que elevam o astral. E sem saber, exatamente, por que, as consumidoras compram além do que estava previsto na listinha básica. Me perco na barraca de flores, tomo água de coco geladinha, como biscoitinhos de polvilho, posso provar a tapioca feita à moda nordestina, e o imbatível pastel acompanhado do caldo de cana me deixando levar por todas essas tentações. Ah, ainda degusto várias frutinhas, os feirantes mimam a gente com várias provinhas. É festa dos sentidos!

Mas a feira livre não é programa para qualquer pessoa. Requer bom humor, espírito esportivo e capacidade de se divertir diante de um comércio estridente, onde você,‘a freguesa’ é a disputa e conquista do momento. E onde se faz muita amizade. Os jovens em sua grande maioria, desconhecem o encanto de uma feira livre, por conta do próprio ritmo de vida cosmopolita: Shoppings/supermercado/internet. E perdem esse lado lúdico de entrar em contato com a natureza, por meio de alimentos típicos de cada estação. Uma visita à feira funciona quase como uma aula de gastronomia, sério. Aprende-se muito sobre a estação de cada ingrediente e as diversas espécies de cada legume, de cada fruta. O mais legal disso tudo, é que vejo nos feirantes sempre o respeito pela qualidade dos produtos.
!

Aqui no Rio, existem 182 espalhadas pela cidade. Oba!

Tomai e comei...

Estive um tanto intensa no que andei pensando...

Quando vi esta foto, imaginei que poderia pensar a submissão como ato eucarístico.

Eis a entrega,

"Tomai e comei, isto é o meu corpo"

Quarta-feira


Me usa
Me toca
Me alisa
Me abraça
Me aperta
Me troca
Me tira
Me veste
Me molha
Me esfrega
Me estica
E me seca
Me dobra
Me passa
E me pi-sa
Me vira do avesso
Me joga no chão
Me deixa vestir esse seu corpo nu

Me aperta
Me cheira
Me chama de Mon Bijou

Cantado por Reynaldo

Infame Episódio

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Tudo mundo errou no infame episódio em que uma menina de 15 anos era freqüentemente estuprada na cela de uma delegacia local onde estavam encarcerados vinte homens: a família, a polícia, a defensoria Pública, o Ministério Público. De fato, todo mundo errou.

Alguém filmou com o celular uma fila de homens tendo relações com uma garota. Não se sabe se é a de 15 anos, mas a cela é a mesma. O certo é que em Abaetetuba tudo era feito às claras.

Nenhuma punição penal, no final da encenação das autoridades, apenas alguns afastamentos. Nem o desastrado delegado foi demitido, como se anunciou. Na verdade, ele se demitiu. Fez aquela declaração insultuosa responsabilizando a vítima, chamado-a de débil mental, foi convocado pela governadora, ouviu uma suposta reprimenda, colocou o cargo à disposição e recebeu elogios: a governadora agradeceu-lhe pelos serviços prestados “com ética e dedicação”. Como com ética?? Já havia contra esse delegado processo por abuso de autoridade! Tudo bem, ela providenciou depois a varredura nas delegacias. Mas por que não fez antes? Por que levou tanto tempo para tomar conhecimento da deplorável situação carcerária do seu estado? Dizer que não sabia já é uma confissão de culpa.

As sucessivas violências sexuais foram cometidas numa cela que era vista por quem estivesse na calçada. Uma repórter verificou pessoalmente que da rua em frente à delegacia tem-se visão ampla da carceragem. Moradores lhe contaram que ouviam a menina gritar pedindo comida. E por que não denunciaram? Uma mulher deu a resposta: “se a delegada põe uma menina na cela com os homens, e a juíza mantém ela lá, quem sou eu para denunciar... para quem?” Ela tem razão. Dessa história degradante, não sobra sequer um bom exemplo, com o agravante de todos os envolvidos diretamente no caso – do governo e do judiciário – são mulheres.

Quando não se tem a proteção institucional da polícia, da justiça e do Ministério Público, tem-se o domínio da barbárie. O pior, é que se sabe que esse não é um problema apenas do Pará. A barbárie ocorre em outros locais do país. Nem por isso tem que ser aceita. Um crime como esse não deixa de ser hediondo por ser banal.

Terça-feira

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a tristeza


é uma mulher

que não se pinta demais

não se perfuma demais

e nem bebe demais

para nos esperar


Marcio Scheel

Segunda-feira

identificação

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É raro. E muito bom.

Eu tenho adorado a internet e essa coisa dos blogs por me abrirem as portas
pra achar mais gente com quem eu me identifique.

E já faz um tempo que achei um cara, quem diria.
Um puta escritor, diz o que quer do melhor jeito, sem fazer tipinho, e
ainda falou de sonhos (clique) que são os meus sonhos que são os
sonhos de todo mundo ou quase mas falou do jeito dele.

Ainda não clicou?

Clica! Vai lá logo! Tchau.

Domingo

http://anotandoteatro.blogspot.com/

Senta na minha cara
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e eu chupo tua buceta,

olhando pra cima e

pegando nas tetas.

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Teu corpo branquinho

ficando rosado

meu pau mais duro
apontando pro lado.



Põe a mão pra tras,
faz carinho na cabeça:
passa os dedos no prepúcio


antes que ele amoleça.

Mas ela não tem coordenação:


quando é chupada

não consegue
usar a mão

Sexta-feira

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No descomeço era o verbo
Só depois é que veio o delírio do verbo
O delírio do verbo estava lá no começo, lá
Onde a criança diz:
Eu escuto a cor dos passarinhos

A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
Verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia, que é voz de poeta, que é a voz
De fazer nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio



(Manoel de Barros)



Quarta-feira

Pra rua me levar - Ana Carolina e Maria Bethânia


.
“...já sei olhar rio por onde a vida passa ...sem me precipitar e em perder a hora ...escuto o silêncio que há em mim e basta ...outro tempo começou pra mim agora ”

Domingo

Reunião de Personalidades



Quantas personalidades você consegue identificar na foto da reunião?
Menos de 20 é considerado inculto, já que existem mais de 100.
(dê um duplo clique na foto para ampliá-la)

Sábado

POESIA VISUAL - POEMATIA E CHÁS POÉTICOS

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Que a POESIA se faça presentemente necessária
d i a r i a m e n t e !
Que as artes criativas sirvam para além de educar, de ensinar...
domar corações e mentes.


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Quero mais...
poesia cantada, palestrada, declamada, interpretada...
quero a POESIA “v a l o r i z a d a”!



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...que não nos faltem “guerreiros”!

http://www.portopoesia.blogspot.com/

Una vuerta...

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A volta é lenta, no susto e ritmadas como palmas de flamenco, só no ápice que acelera e todo mundo aplaude.

Portanto vou colocando a casa em ordem aos poucos porque tem tudo por fazer...

OLÉ!

Segunda-feira

impressões

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Fiquei triste, emudeci e sofri tanto quanto cada um que leu ou ouviu falar da morte do menino de seis anos aqui no Rio. Tentei não falar sobre o fato, poupando meu coração de mãe, e escutei calada as pessoas que não tocam em outro assunto por aqui. No elevador, no curso, na cozinha de casa, na mesa com amigos, na esquina.

Hoje, domingão pré-carnaval, blocos nas ruas, lendo jornais e revistas, vejo indignações variadas, buscas de soluções, e penso, mais triste que antes, que de novo buscam a solução no direito penal, no agravamento das penas, instituição da pena de morte, maioridade penal aos 16 anos, e querem tudo assim, muito rápido, urgente, porque foi triste demais e não podemos ficar de braços cruzados diante de tamanha violência.

Entendo que o que a sociedade está dizendo é o seguinte: o direito penal e suas normas processuais irão nos salvar de barbáries futuras. Não vão. A maioria está cega ou tenho eu a visão distorcida?
Querem “olho por olho dente por dente”? É certo que esse tipo de lei já vigora entre nós, só não está positivada nos nossos códigos, mas é lei, nas ruas, nas favelas e cada vez mais perto de nós. Temos chacinas de crianças, adolescente, chacinas de bandidos, de famílias inteiras em suas casas, de presos supostamente sob a guarda do próprio Estado. O que são essas mortes se não penas de morte? Algumas tendo como algozes agentes do Estado, outras aplicadas pelos particulares.
Alguém duvida que esses assassinos irão pagar com o próprio corpo o crime que cometeram?
Certamente já apanharam mais que escravos, e se não morreram ainda, logo teremos notícias de seus “suicídios”. Como já aconteceu tantas e tantas vezes.

Não sou socióloga, advogada e nem estou defendendo direitos humanos dos assassinos do menino. A questão não é essa.
Sinceramente, a meu ver, não existe lei penal no mundo nem proporcionalidade entre crime e castigo que repare ou reprima a atrocidade cometida por esses assassinos. Eles devem pagar pelo que fizeram.
Porém, a lei penal já existe e deve ser aplicada com todo o seu rigor. Isso é um fato.

Mas onde foi que nós erramos, mesmo? Sim, nós, porque todos esses crimes, seja arrastar criança até a morte, espancar e violar menores sob a guarda do Estado, atear fogo em um carro com uma família amarrada dentro, fraudar a lei para “se dar bem”, desviar dinheiro público para conta particular, atear fogo em ônibus, aceitar dinheiro em troca de favores políticos, ser racista foram praticados por pessoas que integram a nossa sociedade. Parece óbvio isso, não é? Mas não é não.

Então, o outro fato é o social. A busca de solução, a discussão deveria ser no sentido da causa, do combate às causas desse tipo de crime, dessa violência exacerbada, desse pouco caso com o próximo, com a vida alheia.
Claro como o dia, vemos a sociedade brasileira sofrer as mazelas de uma política imunda e corrupta. Os poderes se corromperam.
Logicamente que se o dinheiro público é desvirtuado da sua função, vai faltar para a população educação, saúde, moradia e principalmente dignidade. Dignidade, aquela inerente a todos ser humano e consagrada pela Constituição de 1988.
A sociedade brasileira precisa urgente rever sua política de distribuição de rendas e não aumentar penas ou criar penas de morte. O debate tem que ser em outro sentido. A lei dos crimes hediondos foi criada em 1990, teoricamente para coibir esse tipo de crime, e o que se vê quase dezessete anos depois é que os crimes continuam sendo praticados e cada vez com mais violência. A norma penal, por si só, não resolve o gravíssimo problema social em que se encontra a nossa sociedade.

Não lembro de, à época dos mensalões, CPI’s, sanguessugas, termos ido aos jornais exigindo o aumento de pena para aqueles crimes, ditos de colarinhos brancos que, de uma forma ou de outra, levam a degradação da nossa sociedade, uma vez que, a meu ver, a não destinação do dinheiro público para as políticas governamentais voltadas para o cidadão contribui e muito para o aumento da criminalidade em sentido amplo.
Antes de discutir política criminal casuisticamente o Brasil precisa debater seriamente sobre suas políticas de inclusão social e distribuição de renda, e por outro lado, exigir aumento de pena para os crimes de colarinho, causadores da degradação e morte de milhares de brasileiros.

O texto está confuso? Pois é assim que me sinto.


Sexta-feira

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Ele me apareceu super mal vestido.

Depois, atravessou o samba, tropeçou na

harmonia, saiu do compasso e se enrolou no

tempo, me obrigando a recuar a bateria antes da hora.



Tive que rebaixá-lo para o grupo de acesso.

Domingo

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Estou nua e ajoelhada
Esperando que ele agarre os meus cabelos
E me puxe para o meio de suas pernas
Como se ele quisesse me parir pra dentro
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Estou nua e ajoelhada
Como quem vai rezar
Ou pagar uma penitência
Como quem aguarda do santo um milagre
Ou do padre uma benção
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Estou nua e ajoelhada
Totalmente dominada
Na boca uma mordaça
Na alma uma puta de praça

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(Paula Taitelbaum)
http://www.mundodapaula.com.br/

Sábado

Que poder de síntese fantástico!

Tira essa faca do meu peito e enterra o pau.
É muito mais confortável !


(Ivana Arruda Leite)http://doidivana.zip.net/index.html

.

Está no papel.
Documentado, autenticado, formalizado.
No novo milênio, as caligrafias ainda deslizam
pelas folhas brancas revelando personalidades.
Papel moeda, papel fotográfico,papel vergê.
Papel que embrulha, imprime, limpa e declara.
Que na raiva se queima e na emoção se guarda.
Papel que recebe rótulos, bulas, bíblias, fórmulas,
receitas e certidões. Casamos de papel passado e passamos a vida a rabiscá-lo em devaneios de amor.
Porque por mais que se tecle e se delete,
só ele é capaz de aguçar o tato e o olfato, de demorar
para chegar e de causar surpresa ao entrar por
baixo da porta.
Papel é memória sensorial no lugar de virtual.
Bibliotecas no lugar de disco rígido.
Sem vírus, pane ou comparação, temos
o papel de venerá-lo a cada nova geração.

Paula Taitelbaum http://www.mundodapaula.com.br/

.

Sexta-feira

Quinta-feira

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- Vem cá, vem.

Foi.

- Pega esse pau, vai!

Pegou.

Levou na boca.


Era um bom cão.

Quarta-feira

Minha saga...


Arrumação!
Ô coisinha que nunca termina!!
Sabe quando você puxa um fiozinho e o negócio vai desfiando, desfiando, desfiando e não tem fim...?!
Quando você vê, já está toda enrolada naquela fiarada e não consegue mais se livrar, o negócio dá uns nós impossíveis de desatar e você fica lá, perdida, sem saber o que fazer.
Pois é, eu tô assim.
À minha volta, só tem papel.
Uns devidamente ensacados com destino para o lixo. Outros espalhados sobre a mesa esperando uma definição. Uns já separados dentro de suas respectivas pastas aguardando um lugar no armário.
Aí, o que já estava entulhado lá dentro eu vou botando pra fora, pra avaliar se vai para
inferno – céu - ou purgatório que seria arrumar um espacinho a mais pra botar pra dentro o que já foi destinado a descansar em paz no fundo do armário.

Quando eu vejo, tá tudo espalhado pela casa e eu não sei mais o que fazer com tanto papel!
... Dá vontade de tacar fogo logo em tudo e acabar de vez com essa agonia! Mas não posso.
Tem muito documento. Tem muito texto acadêmico. Recortes de artigos. E muito papel de valor afetivo, e um monte de outras coisas.
Eu me apego muito a coisas sem utilidade. E me apego muito a papel.
Eu devia ter nascido traça, pra viver feliz no meio de tanto papel!
Mas nasci gente e preciso me organizar no meio da papelada, em vez de comê-la pelas beiradas.
Mas nasci gente, e no meio do caos, respiro fundo e bebo um vinho...escrevo tranqüilamente. E agradeço de coração ao ser que inventou o computador, caso contrário estaria eu, no meio de tantos papéis, fazendo o papelão de produzir mais um para dificultar ainda mais a minha arrumação.

Isso posto, volto meu posto de arrumadeira, deixando algumas dicas para quem interessar uma vida mais saudável para quando completarem trinta e alguns anos:
-não anotem todas as matérias das aulas,
-todas as receitas de bolos e outras guloseimas,
-todas as falas de reuniões e debates,
-todas as citações interessantes,
-não escrevam rascunhos de cartas,
-trabalhos
-poemas
-não escrevam bilhetinhos(e os recebidos, rasguem logo em seguida, não façam de papeizinhos as agendas de cada dia)
-deixem as listas de compras no caixa do supermercado
-não façam listas
-não façam listas de coisas a fazer
-de coisas a comprar
-de pessoas a convidar
-de dietas a serem seguidas
-de promessas a serem cumpridas
-de livros a serem lidos
-de filmes a serem vistos ...não façam isso!

Não guardem nada, absolutamente nada dessas coisas na estante, porque elas vão se acumulando e se multiplicando e se confundindo com coisas mais relevantes e na hora de arrumar, cidadão, você vai envelhecer dez anos em duas horas e vai deixar pra terminar amanhã... meses depois você retoma e as coisas se complicam.
Você nunca joga tudo fora e o que você não jogou hoje você vai jogar amanhã mas aí já veio outro em seu lugar, que nem aquela história da mosca na sopa, saca?!

E tudo isso só porque eu queria arrumar um lugarzinho na estante pra umas três pastas gordas... Quer saber, cansei!

Vou deixar pra terminar amanhã.
.
papel de amor

Terça-feira

Alice Ruiz "poemas que dão tapinhas no meu coração"

http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/

Deixo aqui a minha leitura no momento...e as poesias que enxergo nele.
Acredito que Arte não se faz com arte [leia sapequice].... Faz-se com calma, alma, sangue, sublimação e anseio de transformação...
Alice Ruiz, renovando os meus anseios.
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"Que importa o sentido
se tudo vibra?"


"Coisa tua (Waltel Branco e Alice Ruiz)
assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua"


"UM MARASMO...
NADA COMO A NOITE...
DE TANTO NÃO PODER...
A GENTE JAMAIS..."

"Se houver destino acho que te encontrei.
Agora quero saber se existe o eterno prá te encontrar de novo."



"algumas flores teimam em viver

apesar do peso
apesar da morte
apesar de algumas

que teimam em morrer
apesar de tudo"

"vontade de ficar sozinha
só para saber
se você ia
ou vinha
quando deixou
esse bagaço
no meu peito
pedaço estreito
defeito na mercadoria
do jeito que você queria "

"rede ao vento
se torce de saudade
sem você dentro".


" AVESSO
pode parecer promessa
mas eu sinto q vc é a pessoa
mais parecida comigo
que eu conheço
só q do lado do avesso

pode ser q seja engano
bobagem ou ilusão
de ter vc na minha
mas acho q com vc eu me esqueço
e em seguida eu aconteço

por isso deixo aqui meu endereço
se vc me procurar
eu apareço
se vc em encontrar
te reconheço "


"Vê se me esquece
Já que você não aparece,
venho por meio desta
devolver teu faroeste,
o teu papel de seda,
a tua meia bege,
tome também teu book,
leve teu ultraleve
carteira de saúde,
tua receita de quibe,
de quiabo, de quibebe,
do diabo que te carregue,
te carregue, te carregue
teu truque sujo, teu hálito,
teu flerte, tua prancha de surf,
tua idéia sem verve,
que nada disso me serve
Já que você não merece,
devolva minhas preces,
meu canto, meu amor,
meu tempo, por favor,
e minha alegria que,
naquele dia,
só te emprestei por uns dias
e é tudo que lhe pertence

PS: Já que você foi embora por que não desaparece?"

"Era uma vez
uma mulher que
via um futuro grandioso
para cada homem
que a tocava.
Um dia
ela se tocou."

"De tanto não poder dizer
Meus olhos deram de falar
Só falta você ouvir."


"Você deixou tudo a tua cara
Só pra deixar tudo
Com cara de saudade."


Ninguém me canta como você
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você."

"Devia ser proibido
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido
estar do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido... "


" Musicada por ZECA BALEIRO
de você sei quase nada
pra onde vai ou porque veio
nem mesmo sei
qual é a parte da tua estrada
no meu caminho

será um atalho
ou um desvio
um rio raso
um passo em falso
um prato fundo
pra toda fome que há no mundo

noite alta que revele
o passeio pela pele
dia claro madrugada
de nós dois não sei mais nada

se tudo passa como se explica
o amor que fica nessa parada
amor que chega sem dar aviso
não é preciso saber mais nada."

" que viagem
ficar aqui
parada."

"amo esse reino dos sonhos
onde você ainda cresce

essa luz nos meus olhos
onde você aparece

estar ainda viva
que assim a vida não te esquece"

"tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado"

"Milágrimas
em caso de dor, ponha gelo, mude o corte de cabelo
mude como o modelo
vá ao cinema, dê um sorriso, ainda que amarelo
esqueça seu cotovelo
se amargo for já ter sido, troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério, deixe os critérios, siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza, vire a mesa, coma só a sobremesa
coma somente a cereja
jogue para cima, faça cena, cante as rimas de um poema
sofra apenas, viva apenas
sendo só fissura, ou loucura, quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena, reze um terço, caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada milágrimas sai um milagre
mas se, apesar de banal,
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal, do sal, do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas, três, dez, cem, mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
a cada milagrimas."

"Teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

Um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo."


"vara o dia
varrendo a noite
cata um sonho
sonha um vento
algo que fique
por pouco
por muito pouco
um cisco que seja
algo que signifique"


"Tem palavra que não é de dizer
nem por bem nem por mal
tem palavra que não se conta
nem pra um animal
tem palavra louca pra ser dita,
feia, bonita e não se fala
tem palavra pra quem não diz,
pra quem não cala,
pra quem tem palavra
tem palavra que a gente tem
e na hora H falta."

"A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia
"

"alguma coisa em mim
ainda vai longe
alguma coisa em mim
não vai dar pé
alguma coisa em mim
parece que foi ontem
alguma coisa em mim
quer acontecer
alguma coisa em mim
não é mais minha
alguma coisa em mim
saiu da linha
alguma coisa em mim
não disse a que veio
alguma coisa em mim
acerta em cheio
alguma coisa em mim
não tá na cara
alguma coisa em mim
não tá com nada
alguma coisa em mim
não dá desconto
alguma coisa em mim
eu nem te conto
alguma coisa em mim
não tem mais fim"


"já que me sinto muito digna
de me sentar na tua mesa
não quero as migalhas não
eu quero o pão inteiro."

"Discreto
até que foi bem discreto
deixando, ao partir, intenso
muito do seu segredo
nem chegou a tempestade,
esses excessos do vento
foi um corte pequeno
nem dor a mais, nem de menos
foi porque tinha que ir
foi porque tinha que ser
mas está aí a cicatriz
que não deixa mais mentir
se foi ou não foi feliz."


"Humilde para ser uma
Úmida para ser duas
Única para ser muitas."


"já estou daquele jeito
que não tem mais concerto
ou levo você pra cama
ou desperto"

"minha voz
não chega aos teus ouvidos
meu silêncio
não toca teus sentidos
sinto muito
mas isso é tudo que sinto"

Domingo

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não tenho testemunhas
ninguém viu
aquele cara que me atropelou
e fugiu

A Diva

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Vilarejo
(Marisa Monte/Pedro Baby/Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes)
http://www.videolog.tv/video.php?id=79290


Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de herois, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-Lá
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Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for
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Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Segunda-feira

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saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o desconhecimento
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
e eu não lhe provei as lágrimas
é no líquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se recolhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados.



Domingo

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Se
Por te falar eu te assustarei
e te perderei ?
Mas se eu nunca falar
eu me perderei,
e por me perder
eu te perderia



(Clarice Lispector)

Mãos














a mão e seus extremos
um dedo para aliança,
outro para masturbação
um dedo para pintar as unhas, outro para exigir explicação
a mão e sua utilidade no escuro
para segurar no cinema, a mão
para selar um trato, a mão
para segurar na hora da dor, a mão
a mão que benze
a mão que empurra
a mão que toca
a mão que surra
duas
uma para segurar a lata, outra para abrí-la
uma para erguer um peso,outra para erguer o outro
a mão que segura o prato e outra que enxuga
duas
as primeiras que envelhecem

Quinta-feira

Ontem, eu fui ao íntimo e delicioso show Ô DANADA" de
MARCOS LIMA & ELISA LUCINDA. O CD quem vem daí, promete!!
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Centro Cultural Carioca
Rua do Teatro, 37 - Centro - Rio de Janeiro
(ao lado do Teatro João Caetano)


E dentre poesias e músicas, escutei uma canção que gosto de longa data...e tive saudades de mim.

Música é a confirmação de quem você é, música é um encontro.
No meu caso, ela tem que ser um pouco louca, um pouco sensual e um pouco sofisticada, não importando gênero.
Então fiquei pensando no que seria mais importante para a humanidade, se a literatura ou a música. Felizmente, não é preciso optar entre uma e outra, mas e se tivéssemos quê?
Eu sei que a literatura é importante para abrir horizontes, vencer preconceitos e aprender a escrever melhor. Sem falar do quesito entretenimento: livro diverte.
Mas a música tem o poder que vai além de atributos práticos e aplicáveis. A música me invade de uma maneira que me deixa sem defesa. Ainda mais num espetáculo ao vivo. Ela me busca onde eu me escondo.
Pode ser que não seja assim com todos. Comigo é.
A música passa ao largo do meu pensamento e se instala onde eu me sinto, onde eu me conecto com sensações infantis de extremo prazer, onde tudo se torna absolutamente instintivo. Ela me desengessa.
Dá reconhecimento ao meu corpo, que reage a ela sem pudores.
Enquanto as palavras vestem, a música despe. E quando estão juntas, letra e música. Humm! Aí é uma excitação diferente, é um arrebatamento difícil de explicar, é mais ou menos o que acontece na hora do sexo, quando a gente não está pensando em nada, quando a gente deixa o personagem do lado de fora do quarto e recupera a pureza de ser quem é.
Ela invade e captura o que há de melhor em nós: a nossa essência primeira, a mais intocada delas, a que não foi corrompida por racionalizações.

Escutar algo que não me agrada musicalmente, custaria uma hora ausente de mim.
Música não pode ser um barulho que acontece fora.
Não faço concessões para música. Música tem que entrar.

.
Gonzaguinha - Avassaladora

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Avassaladora senta no seu colo
lambe o pescoço
morde a orelha
enfia a língua
por entre seus dentes
tomando toda a sua boca
ela é louca
muito louca e,
ele adora sua mão
apertando o que deseja
com calor e com carinho
ensinando o caminho da loucura
e acabando com
seu medo de não poder
e o macho se solta
se larga, se acaba na
mão da rainha com todo prazer
e o macho desmonta
num grito de gozo
na mão da rainha
e desmaia
de tanto prazer



.

Domingo

Os Esquecidos












Maria, Cláudia, Manoel, Terezinha,
Jorge e tantos outros esperam por você.
Centenas de pessoas estão esquecidas em algum hospital, asilo ou instituição a espera de um parente.
Perderam a identidade civil, mas não perderam a alma.
Esperam que alguém, algum familiar, um parente ou amigo resgatem as suas vidas da dor do sofrimento da solidão.
Terezinha ainda sorri com a boneca.
Manoel espera pela janela a chegada do parente distante.
Maria esqueceu do tempo. Mas não esqueceu de viver.
Eles foram esquecidos pela sociedade.
Mas não podem ser esquecidos!!
Por isto, esperam que, indique o caminho de volta, o caminho de volta a vida deles.

Sexta-feira

se você for
exatamente como imagino
igualzinho aos meus sonhos
eu vou embora
detesto desmancha-prazeres

Segunda-feira


Poeta disse:
"Para vc, com amor."


Quem foi que pôs o suco nessa boca carioca?
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Agora,
quando olho pra você,
tudo é muita sede

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Engraçado eu saber que vou gostar de uma fruta que nunca vi nem ouvi falar.
Sei que você irá deseducar minha língua,
pois do contrário,
como eu poderia ser autêntico e te fazer corar?

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Engraçado eu ter medo de altura e saber,
ao mesmo tempo,
que vou trepar nessa árvore,
escalar os galhos,
balançar as folhas
e espremer o sumo dessa fruta em mim.

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Engraçado eu perceber que você só é gostosa,
porque não tem semente,
só é macia,
porque me é urgente.

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E me alegra saber que você nasce,
não onde se planta,
mas quando está na hora!




Charles Silva
( autor do livro "do açúcar à pimenta")
.

Quinta-feira



há mulheres
que têm diversos namorados
depois casam e têm filhos diversos filhos e filhas
eventualmente um ou dois amantes
e chegam no fim da vida
sem nunca
sentirem-se amadas como as artistas


há mulheres
que tiveram uns poucos flertes ligeiros
no máximo um amor platônico
não casam, não fazem filhos
cultivam mais dúzia de amigos
e nunca se sentem benquistas

há mulheres
que preferem ficar sozinhas
não amam senão viagens, plantas e espelhos
e no entanto os homens morrem por elas
largam a família, se atiram a seus pés
amam estas mulheres com o amor mais puro que existe
e nem isso conquista

fraqueza, defeito
desvio cultural
herança genética, trauma de infância
carência existencial
vá saber a razão
para tanto
eu te amo ocasional

nenhuma mulher se sente
amada o suficiente
desista

Sexta-feira



Todas Elas juntas Num Só Ser
(Lenine / Carlos Rennó)

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;

Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;

Já não homenageio Januária,

Joana, Ana, Bárbara, de Chico;

Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;

Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;

De Michael Jackson, nem a Billie Jean;

De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;

Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,

Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;

E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,

Ana do outro rei, o do baião

Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...Mais que tudo é só você;
Só você...As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.

Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.
.

Quarta-feira




...ele fazia o que queria do meu corpo e eu olhava seus milagres, pasma.

Eu às vezes me perdia a examiná-lo.
Ele não era propriamente bonito.
Mas tinha essa magreza assassina, esses músculos longos e finos que brincam em baixo de uma pele cor de pele e que me deixam derretida, pernas bambas e calcinha instantaneamente molhada.

Pela forma de mão firme e seus dedos delicados, adivinhava-se um sexo venenoso, daqueles que navegam em alto-mar, inssaciáveis e incansáveis.


Sou dessas que não se satisfazem com uma vez.
Foi ele quem me fez descobrir isso.

.




Terça-feira

Um dos meus diletos poetas - Charles Silva

inverno
polainas no coração
e pelo corpo
a lareira acesa
da melação





vem me lamber
amor
teu cobertor caramelado
agora já virou licor
vem me despir
desse calor
açucarado
derreter o dorsal
dessa espinha
espuma teu sal
pro meu sabor


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vem me saber
latejar
quero sentir o perigo
nas garras
da minha fera polar
me faz gozar
no umbigo
me põe amarras
me solta
pra eu acabar contigo!


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(Charles Silva)




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a primeira vez
que beijei na boca
amei a saliva
temperei a palavra

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a primeira vez
que beijei um corpo
esqueci da fala
temperei o mundo

(Charles Silva)

Lambe Lambe

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Passam muitas pessoas no saguão dos aeroportos.
Passam neste aeroporto da agora,
e eu, no meu pensamento,
não me comporto, imagino elas fodendo:
fulano com fulano,
são casados, gozam, fazem planos?
E ela, quer logo que acabe?
E ele, penetra rosnando?
Fantasio as inúmeras possibilidades de encaixes,
em como foram as noites de amor que tiveram para fazer essas
crianças chinesas africanas alemãs francesas mexicanas libanesas
brasileiras cabo-verdianas espanholas cubanas holandesas
senegalesas turcas e gregas.

(meu pensamento é inconveniente mas ninguém sabe,
escrevo num café, estou, por fora, muito chique no cenário
e nitidamente estrangeira.)


Agora passam dois homens.
Sentam à mesa ao lado.

Falam germânico mas a tradução é da mais alta putaria,
Uma iguaria da mais pura sacanagem!
Eu sei, são gays. Eles não sabem que eu sei.
Pensam que escrevo o abstrato
E capricham descansados ao colo do idioma que não alcanço.
Mas sou poliglota na linguagem dos molhares,
cílios a mais antiga cortina do mais antigo teatro
na pátria universal dos gestos, meu bem!
Eles não escapam.
Um chupa muito o outro, que eu sei,
e o magrinho gosta de dar por cima e de lado.
Importante dizer que dentro desse meu pensamento safado
também não tem pecado.
Só me diverte
Ver o que todos negam,
O que não se diz no social,
Uma radiografia verbal da intimidade alheia é o que faço aqui,
Sem que ninguém suspeite,
Sem ninguém me permitir.
Aquele tem pau pequeno e, pior que isso,
e, mais que suas parceiras, acha isso um problema.
Aquele ali também tem, mas arde na cama e se empenha muito
compensando a diferença.
Aquela, num outro esquema,
diz não gostar da coisa
e fala sem parar.
Só uma pirocada de jeito para fazê-la calar.
A gostosa gordinha engole a espada todinha
daquele altão desajeitado,
cujo grosso membro se torna,
em meio às coxas dela, disfarçado.

E o velhinho punheteiro
De pau mole com jornal no colo?
Talvez seja o único a adivinhar o teor dos meus escritos,
dado que me olha dissimulado e constante
de modo a nunca perder meus segredos de vista.

(Com licença mas é dessa matéria hoje minha poesia)

Enxerida, vejo a mulher com cabelo cortado à la moicano
Com a menina que iniciara a tiracolo,
Feliz sem ser por ela lambida
E sem saber no que estou pensando.

Passam as pessoas
no saguão do aeroporto,
fingem que fazem check-in
fingem viajar sérias e de férias,
fingem estar trabalhando...
mentira,
pra mim ta todo mundo trepando!

Frankfurt, 6 junho de 2002

Elisa Lucinda
livro:A Fúria da Beleza



Escutei essa poesia na noite de autógrafos do seu último livro,
Fúria da Beleza - Elisa Lucinda.
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Elisa, recitou esse poema no palco do Teatro Rival, no Centro do RJ.
Simplesmente eu não parava de rir, muito!!
Tenho o mesmo exercício mental quando estou na rua, consultórios médicos, areoporto, supermercado, fila de qualquer coisa ...em qualquer lugar que me pego observando as pessoas...então eu brinco com meus neurônios libidinosos e pornográficos.

Na hora que a ouvi, pensei: Caramba! Eu sou "normallll" !!! :)

E se falando em noite de autógrafos, do último livro da musa...
Assistir, Renata Sorrah recitando "Confesiones desde el camerino"
- o quê foi 'aquilo'?!!?!?
MEU DEUS!!!

Ali, confirmei o sagrado ofício de ser ator. Nossa!
Ela silenciou o Rival...fez literalmente a poesia sair da horizontal para vertical com suavidade na fala e certeiros gestos. Fiquei encantada!
Dali em diante, já ganhou meu respeito e admiração como atriz
...confesso, que antes não prestava atenção nela (tola que fui).
Pra mim, foi a melhor interpretação daquela noite.

Mas, houveram outros...

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Ana Carolina...
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O poeta, Mano Mello
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Beth Carvalho
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Marcos Lima , sua nova parceria ...Cantar.

E outros que não fotografei... Maria Rezende, Amir Haddad, Paulinho Moska, Geovana Pires.

Uma meninice do poeta pra mim :)

O quintal dela...
O que dizer?

Ela tem um transatlântico e um quintal de terra azul que dá pra plantar peixe, golfinho, baleia...

Quintal engraçado, porque as plantas só nascem para baixo.

Quando cismam em nascer para cima da terra azul, ela dá o nome de onda.

Essa terra azul é de uma areia que escorre entre os dedos, primeiro em fio, depois em gotinhas.



E ela disse que a terra é salgada.

Queria tanto brincar nesse quintal com ela!!!

Eu nunca brinquei num quintal sem roupa, mas nesse eu queria.
Sei que o teu quintal é de mergulhar em infinitas brincadeiras, tem alegria de tchibum e acaba num chiado de carioca onda quebrada.

Eu quero brincar de consertar onda com ela, que é mais do que fazer carinho, porque consertar onda ajuda o quintal dela ficar mais bonito e é uma brincadeira que nunca acaba.












E coisa que eu mais gosto é brincadeira
sem fim, porque nunca acaba o momento de estar com ela...












(Charles Silva)

Sexta-feira

Amor de Índio
(cantada por Maria Bethânia, por favor)

"Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.

Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.

Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo

Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo

Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.

A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor

Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.

No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto

O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
Todo amor é sagrado
Todo amor é sagrado... "

Quarta-feira

Linda noite
Se a vida noturna do Rio de Janeiro anda combalida pela insegurança das ruas, o mesmo não se pode afirmar da vida cultural, que segue em alta, com uma efervescência e uma vitalidade impressionantes. Prova disso é o evento Te Vejo na Laura, que uma vez em cada mês ocupa o palco da Casa de Cultura Laura Alvim, um dos mais ativos e prestigiados espaços culturais da Zona Sul carioca.

Acompanhada por uma amiga, estive lá no início da noite de segunda, para conferir e posso dizer que o espetáculo superou as minhas expectativas, que já eram bastante altas .
Uma platéia interessada e antenada. Com o teatro lotado, mais de 250 pessoas se espalharam entre platéia, balcão, cadeiras extras e até no chão pra assistir a 2h de arte da melhor qualidade, conhecendo o trabalho de gente nova e vendo seus ídolos experimentando novas possibilidades.

Além disso, agregaram os artistas plásticos no projeto, com exposições pelas paredes do teatro dando o clima das noites. Artistas incríveis se apresentavam mostrando o melhor de seus trabalhos.
A programação ficou bacanérrima, um público e absolutamente entregue, que chegou sem saber o que esperar e saiu embevecida com o que viu.
Aí embaixo, algumas fotos do que rolou, mas como sempre é preciso ressaltar: elas só dão uma idéia - bem vaga - do que se viu e se ouviu...

(só mais um pouquinho)

Linda noiteeee! rs
Convidados super especiais!!!
Sem mais blá blá blá, elas estão aí embaixo, pra deleite geral


O palco lá e eu cá, na expectativa do que estava por vir.
E o que veio foi melhor do que a encomenda!


Maria Rezende, diz seus poemas emocionada.


Joana ficou tão feliz com a reação aos seus poemas que já pensa em publicar um livro!
Aqui vai um poema da Joana Fomm, um dos que ela leu nessa noite e que eu adorei!


Definição - Joana Fomm

Eu sou aquela que pede licença para viver
e se desculpa em seguida.
Me sobram pés e mãos e atravesso a vida
sem bolsos e descalça.
Sem me desviar das situações.
Eu sou aquela que se lambuza no caramelo
e tropeça na saia do vestido curto.
Quando gritam na rua : - Olha ela!
sou eu que me viro.
Sempre troquei as bolas,sempre ri fora de hora.
Como a vida sem saborear,passo a mão sem explorar o tato,amo sem gorjeio.
Me exponhona esperança de secar o poço.
E ser tão normal quanto a minha vizinha, que engole seus sapos, com dignidade
.



Camila Pitanga lendo Hilda Hilst



Letícia Spiller dando voz aos seus versos



Carlos Malta e sua flauta mágica: quem ouviu sabe o que foi...


Malta arrebentando a boca do balão



Affonso Romano de Sant´Anna, um dos grandes poetas, bacana mesmo porque junta academia e vida, estudo e palco, performance e seriedade.
Ele lê seus poemas bem demais e impressionou o público
lendo poemas seus da sua Poesia Reunida, lançada no ano passado pela LP&M.



Thalma de Freitas, linda e sonora, cantou
as canções de Xica da Silva e Orfeu



Antônio Calloni iluminado
levou à platéia do riso à emoção em suas leituras



Marcelo Serrado cantou, tocou violão, mas não podia deixar de tocar seu principal instrumento, a gaita, que o acompanha desde a adolescência.
Ele fez duas músicas acompanhado pelo seu professor de violão, Fernando (que ele chama carinhosamente de 'patrão') e ainda leu um poema de Augusto dos Anjos.



Lázaro Ramos, ator genial e corajoso, subiu ao palco pra reviver seus dias de Madame Satã cantando uma das canções do filme e o Lázaro surpreendeu todo mundo com uma versão inédita de uma das canções do filme, em que ele fez a pedido da direção uma mistura de Elza Soares, Dona Clementina e Marisa Monte!
Só pro público em questão...



A participação mais esperada da noite não decepcionou: Ana Carolina arrasou na leitura!
A cantora, que estudou Letras em Juiz de Fora mas teve que abandonar o curso para se dedicar à sua carreira musical, disse que sempre adorou poesia e que um romance de Clarice Lispector foi seu primeiro alumbramento com a literatura.
Ela leu um trecho do romance, e emendou no poema "Safena" (que eu AMO), de Elisa Lucinda.

E falando DELA, ELA estava lá, Elisa Lucinda assistiu a tudo da platéia, subiu depois ao palco e mantendo o clima de troca-troca proposto (e aqui eu quase tenho um treco! Uma síncope!! - a máquina digital fez greve nesse momento – Grrrrrrrrr) cantou três canções foi exercitar arte nova.



Chicas dando show: Fernanda Gonzaga, Amora Pêra, Paula Leal e Isadora Medella (todas filhas de Feras)



A Luiza Mariani, atriz, deu um show lendo dois poemas do Gullar: "A vida bate" e "Maio 1964".



Othon Bastos, grande admirador do poeta, reuniu versos de cantadores nordestinos e os dedicou a Gullar. Depois, leu o cordel "A luta entre Z? Peleja e Tio Sam", escrito por Gullar em sua fase de protesto.



Geraldinho Carneiro, mesmo de perna quebrada, subiu as escadarias do teatro pra homenagear o Gullar



No fim da noite o Gullar subiu ao palco pra agradecer todo alegre com a reunião de amigos e admiradores em torno da sua obra.
Foi um privilégio e uma honra estar com ele e ver o sorriso dele ouvindo seus versos serem ditos por gente tão variada.

Ferreia Gullar, para lá do artista que é, é dono de uma expressão (refiro-me a face, gestos, timbres) das mais puras e desmascaradas.
Quando o Gullar fala, parece que a alma dele vem junto, de uma vez, em cada palavra, sílaba, freqüência, cada luz faiscante dos pequenos olhos, cada sorriso desarmado, pueril, que, do alto de seu vulto e do espectro que seu pensamento abrange, ganha brutal beleza e força, uma força que muita gente procura por todo um ano, ou uma vida, e não acha, e que, se olhar-mos bem para o Gullar, não será difícil extrair para si, sem grande esforço, desde que o prórpio espírito esteja, naquele momento, tão desarmado quanto o tal sorriso.

Essa noite foi mesmo especial e particularmente tocante
E deixou uma certeza... Todo mundo fica doido pra voltar, e querendo saber quando é o próximo.

Domingo

Então vamos lá...prepare os ouvidinhos,que hoje é dia!!!

Tarde de domingo, antes de sair, sentada no meu quarto, o olhar perdido na tela do computador. No mesmo, toca Maria Callas canta Andréa Chénier, na tentativa de sua voz me trazer alguma inspiração, para digitar.
Lembro, de repente, de uma frase que ela disse, quando foi abandonada por Onassis.
Ela disse que agradecia quando um dia terminava, porque era um dia de menos.
Alguma coisa assim. Lembro que era triste. Muito triste.
Um amor tão publicamente confesso deixado sobre o banco, como um embrulho esquecido.

(É melhor eu começar outra vez.)

Tarde de domingo, antes de ir para o teatro. Os olhos que saem janela afora à cata de um motivo, que voam sobre a tarde quente e ensolarada.
Uma tarde que me traz a lembrança da minha infância...do meu avô (penso que nunca falei nome dele é José Bittencourt. Viu? E eu disse É e não era).
O céu de Nilópolis incendiado no verão.
Imóvel, a paisagem da memória.
Imóveis todos aqueles dias, como se cada uma das pipas tivesse sido cuidadosamente pintada nos céus.
Éramos crianças suadas, emporcalhadas e felizes.
Uma boa fatia da infância - bicicletas, sótãos, festas e um bando alegre e barulhento.
Tudo sempre foi motivo de celebração naquela família meio italiana.
Vozes que começavam a cantar e a casa que se enchia de sons e risos.
Outro dia passei pela casa de uma amiguinha de infância, que com muito custo e insistência minha, meu avô deixava eu brincar, ou melhor, pelo terreno que lá está, transformado num estacionamento.
A casa foi demolida.
Toda a beleza de sua arquitetura esparramada de varandas imperiais desapareceu.
Restaram os risos e vozes bailando no céu de pipas pintadas.


Maria está cantando Verdi, agora, e a trilha sonora me tira do céu de Nilópolis e me joga em outro lugar, o ar tão cristalino quanto a voz que brota do meu cd.
Maria canta com o coração ferido e a tristeza daquelas notas me faz suspirar e pousar as mãos sobre o teclado.


(É melhor começar outra vez. A voz dela está impedindo o fluxo do meu pensamento. Fragmentos de sua história acabam se infiltrando na minha. Coisas que eu li, instantâneos de sua personalidade, a sua história tantas vezes contada, a diva que se deixou morrer por amor. Como me fascina as tragédia dos amores desesperançados e histórias de divas, eu vou pensando, misturando tudo no cadinho da mente. Vou começar outra vez.)


Tarde de domingo, uma tarde abafada. Maria Callas canta "Madame Butterfly" e todo o amor que uma mulher é capaz de oferecer se derrama pela sua voz.
Com a tranqüilidade da coleta.
Com a serenidade da escolha.
As mulheres são infinitamente mais intensas na entrega e no amor.
Assim é a voz que me embala, nesta tarde de domingo: a delicadeza e a fragilidade do soprano acabam em torrentes de fúria e paixão.
Eu vi Callas no livro, numa de suas últimas fotos, roubada por uma câmera indiscreta: ela está na janela de seu apartamento, em Paris, olhando para o vazio.
O olhar já tinha ficado para trás, ela já tinha partido, eu acredito.
Porque partimos, às vezes, antes de os corpos físicos pararem.
Partimos e vamos em busca daquela fatia de tempo em que as coisas tinham um colorido mais vivo.
E ficamos por lá, corações e almas, mentes cheias de um brilho esperançoso, enquanto nossas carcaças avançam por aqui.
Essa é uma das minhas fantasias góticas.
Zumbis por toda parte.
Corpos abandonados pelas ruas, pelas alcovas, pelas solidões da grande cidade.
Corpos de gente que ficou para trás por escolha, por desejo, por saudade.
Porque há momentos na vida em que a gente tem de ficar para trás.
Simplesmente não se quer mais ir em frente.
São decisões que devem ser respeitadas.
Em que porto terá descido Maria Callas?
Em que porto resolvemos descer e sair em busca daquilo que ficou por realizar?


Agora acabei de escancarar a janela e a tarde vem me chamar dentro do cômodo, estendendo um braço afoita de luz pro meu lado.
Metade da tela do computador ganhou um amarelo brilhante e a voz de Maria Callas ganha uma cor toda especial com o tanto de luz que inunda esse cômodo.
Fico na janela praticando um exercício que alguém me ensinou, um dia: o de olhar além.
O exercício de estender o olhar para além das edificações, além das mágoas e além das tristezas. Vou afastando aquelas casas e vidas e concreto, tentando ganhar outras paisagens, embalada pela voz de Callas.

Bem, fim de tarde de domingo, logo chega o crepúsculo e eu emudeço Maria Callas, porque já são horas!
Jogo uma água no corpo, olho pra minha imagem no espelho e saio de casa na hora em que a luz começa a cair, pintando as montanhas de preto e as árvores ficam de um alaranjado forte (já reparou nisso?).
Vou dirigindo pela dureza da av.Brasil, preguiçosa nesse fim de tarde.
O resto de luz do dia se vai de vez.
Estou indo ao teatro mergulhar no mundo dos atores.
As histórias cotidianas, os seus e os nossos sonhos loucos, as gargalhadas teatrais, as vozes que se elevam numa gritaria alegre, para depois irem se aquietando, silenciando, os olhares concentrados no trabalho, no ofício.
São oito da noite.
Estou dentro do teatro, sentada e totalmente desarmada de expectativa, apenas um segundo, antes de dar início à peça.
Aquela tarde quente resolveu se desmanchar em chuva e, no teatro, eu posso escutar o aguaceiro que despenca sobre a cidade.

Respiro fundo, olho para o fundo escuro, penso em Callas e na vida dos atores que decidem viver uma vida que não é a deles.

E é assim que estou me sentindo...

Vivendo uma vida que não é minha.

Quinta-feira

Tempo passado...perdido em horas... Tempo...Tempo...Tempo



Salvador Dali



No surrealismo os artistas expressam livremente suas idéias, dando vazão aos impulsos da vida interior sem refreá-los com nenhum tipo de restrição.

Sugeria a expressão do subconsciente, dos sonhos e das fantasias, pregando a livre associação de idéias.

Sexta-feira

" Penso onde não sou,
logo sou onde não penso ".












Freud e o inconsciente


O inconsciente é um cachorro louco
Solto no quintal da casa
Enquanto a gente está na sala
Ele mija na roupa lavada
Morde quem a gente beija
Ele, nos fundos de tudo,
Rosna e late sem a nossa explicação

O inconsciente é um
e já é matilha
é mundo e é cão
é cão e menino
é canino.
Ultimamente, tenho trocado muitos e-mails com minhas amigas blogueiras.
Nosso assunto principal é relacionamento, o que se extende da primeira cantada até o sexo. Tenho ouvido muitas reclamações sobre os caras que as comem (os chamarei de copulantes), sejam eles maridos, noivos, namorados ou peguetes (amantes estão excluídos, pois ninguém reclama deles). Por outro lado, tenho ouvido vários testemunhos de copulantes bons de cama.

Juntei estas informações à algumas experiências e cheguei a algumas conclusões.
O que publicarei agora são opiniões minhas e se referem a copulantes certos, ou seja, aqueles que comem as mesmas mulheres com uma certa freqüência.
Não estou me referindo à primeira transa nem àquelas esporádicas (tipo,uma a cada 2 ou 3 meses).


Estou falando de relacionamento contínuo,
seja comprometido ou não.

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Cara bom de cama :

O cara bom de cama faz com que a mulher se sinta desejada por ele o dia todo.

Ele dá assistência. Liga, passa e-mail, aparece de surpresa, cumpre os compromissos no horário marcado pra ganhar tempo.
Com isso, a mulher sente-se A MULHER, valorizadíssima, desejada.

O cara bom de cama, faz elogios, fala putaria, faz propostas indecentes, se insinua ao pé do ouvido e a deixa molhada e ansiosa pra uma transa.
E faz isso em público, no trabalho, na sala de aula, numa festa, na boite.
Ele faz com que ela o deseje.
Ele fala coisa do tipo “isso tudo é meu?”, referindo- se ao corpo dela.
Ele toca seus seios decotados discretamente.
Ele passa o dedo levemente no joelho dela no sentido da boceta, fazendo-a querer que ele não pare.
Mas ele pára, provoca, deixa o desejo no ar.

O cara bom de cama não tem hora nem lugar pra dar uma.
Transa no carro, encostado no muro, atrás de uma árvore, em cima da mesa, na areia da praia, dentro de mar, rio, piscina.
Ele a abraça por trás enquanto ela lava as mãos, sabe onde tocá-la e a come ali mesmo, apoiada na pia, com a água correndo aberta.

O cara bom de cama a beija de corpo todo. Começa de leve depois enfia a língua na garganta.
Segura seu rosto com as mãos e controla o ritmo.
Domina.
O movimento do beijo do cara bom de cama é de corpo e alma.

Ele roça nela, enquanto beija. Mostra, com o toque, que seu pau tá estalando de desejo por ela.
Durante o beijo, ele a abraça e aperta sua bunda.
Ele alisa o bico dos seios.
Ele a enlouquece com um beijo.

O cara bom de cama faz sexo oral. Como o beijo, faz isso de corpo inteiro.
Ele enfia a cara na boceta e não apenas a toca com a boca ou língua.
Ele sabe quando morder, quando lamber, quando chupar.
Ele lambe seus pés e a parte de trás do joelho.
Ele lambe-lhe as cochas e passa direto pro umbigo, deixando-a ansiosa pelo oral local.
Ele a faz gozar numa chupada. Se ela não tremer, não foi bem chupada.

O cara bom de cama penetra selvagem, penetra com carinho, não penetra, apenas esfrega seu pau.
Ele sabe onde esfregar.
Ele varia posições.

Mas, nem por isso, deixa de fazer papai-mamãe.

O cara bom de cama mostra seu domínio. A mulher precisa se sentir protegida.
Ele a beija, enquanto mete.
Ele urra, enquanto goza.
E a abraça com força curtindo o prazer do gozo.
Ele diz que a ama, mesmo que seja só paixão.

Enfim, o cara bom de cama deixa a mulher saber o quanto ela é importante pra ele.
Esse é o principal.
Se é que tem principal.

Ele não precisa inventar posições impossíveis, tampouco seguir o calendário de posições nem o Kama Sutra.
Ele precisa apenas estar lá quando ela precisa.

Quinta-feira


















Sabe o que é um coração amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pintos...ventres...pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice em sentimento
exposta ao mar da branquice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate!

(Elisa Lucinda)

Quarta-feira

Aqui meu Dali preferido



Salvador Dali
que não só criava arte, mas vivia
e era a própria expressão de sua arte, é o meu artista surrealista favorito.

Segunda-feira

Você já fez alguma loucura por amor?
Sim, respondem quase todos.

Vamos a elas: jogar pétalas de rosas de um helicóptero, fazer uma declaração através de um outdoor, se matricular num curso só para virar colega do amado,trocar de país, perder 30 quilos em três semanas, engravidar, se ajoelhar pra pedir perdão - durante uma rave!
Enfim, há loucuras leves, loucuras idiotas, loucuras várias, quase todas perdoáveis por causa de sua nobre motivação. Engravidar, por exemplo, acho uma loucura sacana, a não ser que o cara também esteja a fim.

Suzane, uma garota de 19 anos, também tem uma resposta se alguém lhe perguntar se já cometeu uma loucura por amor. Tramou a morte do pai e da mãe.
Como seus pais não aprovavam seu namoro com Daniel, o casal de pombinhos planejou o assassinato, que foi executado pelo próprio Daniel e seu irmão Cristian na noite de 31 de outubro, em São Paulo.

A paixão realmente nos tira do eixo, é uma espécie de surto. A iminência de perder a quem se ama nos coloca num estado de descontrole, parece que há uma conspiração contra nós: só quero amar e ser feliz, por que não pode, por que não dá?
Pior ainda quando é o pai e a mãe que desaprovam o namoro. Quem já não passou por isso? Não há nada mais batido do que a ladainha ele-não-serve-pra-você-minha-filha. Ou, em outra versão:
você-é-muito-jovem-pra-se-amarrar.
A gente acredita que foi premiado com o amor maior do mundo, a gente confia que nunca mais vai encontrar alguém tão perfeito pra nós, e aí vem o pai e a mãe dizer que estamos cegos, iludidos e que não sabemos nada da vida. Grrrrrr. Dá vontade de matar mesmo.

Mas não é isso que a gente faz. A gente namora escondido, a gente empurra com a barriga, a gente foge de casa, a gente se arrepende e volta, ou não volta.
Enfrenta a crise sem derramamento de sangue, pois nossas loucuras são poéticas, são loucuras de amor que justificam ser chamadas assim: de amor.

Suzane não quis saber de poesia, desconectou-se da sensatez, soltou sua fera, e agora, enjaulada, nos faz ter medo da gente mesmo.

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Domingo

O mundo não é maternal

É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo.
Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego. Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se trumbica. Quem com ferro fere, com fero será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.
Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusiva, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.
Mãe é de graça.

Sábado

minha casa está uma bagunça só
quando é assim
A alma também está e por isso a casa fica,
Ou a casa fica porque a alma está?
Nessa bagunça retórica
Não há verso
Que se possa distinguir do gume das calcinhas
Achei meu soutien meia-taça preto rendado
Ao lado do molho shoyu de soja
Procuro quem se despoja pela casa
Como uma romaria de walcléas...
Há quem diga que a gomes
É severa e arrumadeira
E vem atrás ajeitando
Tudo o que a outra espalha
Mas aí vem a outra
Sutil dona que suja os copos outra vez,
Cozinha, sobrecarrega panelas e chuveiro
Mas ninguém vê
Mistura as cuecas do filho
Aos “Os Mandarins” de S.Beauvoir
E ainda tem uma outra que é puro lirismo
E tenta com a escrita
Disfarçar tudo
Usando elegância pra descrever a balbúrdia.
Ela é a cuja sobre a qual nos salvamos todas
No padecer.
Amém.

Esse é o invento
Essa odisséia
À qual retorna todos os dias
E se proclama aos sete ventos...
Agora, pra falar a verdade
Eu mesma não agüento!


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Terça-feira

...e se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ler o jornal, ir pro computador, sair para compras e resolver pendências — se eu disser que foi assim, o que você me diz?

Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima, tchê” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, comer um chocolate, ler poesia, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém.
Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma.
Não sorriu hoje? Medicamento.
Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psicólogo.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão.

Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa.
Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente — as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down...”.

Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer.
Pois é, pega.
Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara.

“Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música.

Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato.
Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais.

Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for.

Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor
— até que venha a próxima, normais que somos...

Sexta-feira

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Nunca tinha escutado esta palavra antes: Posilipo.
É um lugar na Itália, perto de Nápoles.

Posilipo, em grego, quer dizer pausa da dor. Fiquei sabendo, através do livro da Clarice Lispector, Correspondências, que Posilipo é um lugar belo e doce, com mar, montanhas, árvores, e que realmente consegue suspender nosso sofrimento.
Posilipo está longe demais, num pedaço de mapa que talvez eu nunca venha a passar, e talvez nunca vocês. Portanto é preciso recriá-la aqui mais perto, ao nosso alcance. Uma Posilipo cenográfica, que encante os olhos e a nossa alma, e ofereça pausa pra dor, que nossas dores merecem tirar férias também.


Posilipo pode ser, por exemplo, sua cozinha. Um lugar onde você cria, onde você aspira aromas, prova novos sabores, se alimenta, e alimenta os outros.

Pausa pra dor.Falando em cozinha, Posilipo pode ser o Arroz doce com mel que aprendi ontem em um programa de TV. Tão gostoso, tão delicado que parece que flutua sobre nossa língua. Pausa pra dor.

Polisipo, também, pode ser um livro. Alguns nos atingem tão profundamente que provocam dor, mas isso é igualmente pausa pra dor, porque a dor reconhecida, espelhada, acessível, é uma dor mais compreendida, e compreendida torna-se mais íntima, uma espécie de dor de estimação, menos dolorosa, quase um prazer. E outros livros trazem só prazer, sem dor.

Posilipo: um amigo ou amiga. Não um festão, que às vezes todos reunidos só fazem a gente se sentir mais sozinho. Um só. Uma só. E uma noite longa para conversar, uma tarde inteira trocando confidências, rindo juntos,jogando baralho , assistindo um filme, ou simplesmente juntos, fazendo nada. Pausa pra dor.

Ajudar os outros, aliviar a dor dos outros: pausa pra nossa. Ao socorrer alguém num acidente, ao levar apoio a quem precisa, ao fazer um favor, estamos inaugurando várias Posilipos. Afastados de nossos próprios problemas, tornamo-nos cidadãos de uma Posilipo na beira da estrada, outra num quarto de hospital, Posilipo num orfanato. Dedicação à dor alheia, pausa pra nossa.

Por fim, o mar. Acho que nunca chorei em frente ao mar. Qualquer mar é Posilipo pra mim.

Estou saindo neste feriado, deixo aqui este texto no blog.

Uma pausa para pensar em mim...para curtir mais meu precioso filho, caminhar e dar um tempo da Internet, estarei desconectada, não lerei e-mails. Onde? Num lugar que não tem o mar da Itália, nem as suas árvores e suas montanhas, e cujo nome não é Posilipo, mas que torço para que Posilipo me pareça.

Amplexos.

Quarta-feira

Dia cheio !
Enfim, é a vida...


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Logo pela manhã, tive a "agradável" surpresa que a minha carroça Fiat: enguiçara!
Não pegava nem por um....(vc sabe).

Bem, não deixei que a irritação ou a indignação, de um carro que ficou alguns dias parado para conserto, tomasse conta do humor, logo pela manhã.

À tarde, vim almoçar em casa, para esperar o reboque.
Eu estava na garagem do meu prédio, esperando...e chega o reboque.
O homem, um homem forte, de meia idade, aproximou-se do capô.
Abriu o capô, e assim como estava, com a mão direita ainda levantada acompanhando o movimento, parou.
Subitamente, sentia-se mal.
Foi ao tanque molhar o rosto. Sentou num degrau. Suava. Tinha náuseas. Providenciei água pra ele beber.
Alguém foi telefonar para a oficina, que o mandassem buscar.
Ele parado, quieto, suando. Estava se sentindo muito mal, me disse. Dor no estômago, disse ainda. (só, que não se torcia, não se lamentava, não tinha um esgar, nada!) Muito mal, repetiu.
Enxugava o suor com a ponta da camiseta, o rosto parado enfrentando a dor.
Eu acocorada diante dele, tentando ajudá-lo com a minha presença enquanto o socorro não vinha.
Então ele levantou o olhar pra mim, e ficou olhando nos meus olhos, fundo, demoradamente, como um homem só olha uma mulher quando a quer ou quando está clamando sem palavras.
Por aquele olhar eu soube que ele estava enfartando, e que talvez estivesse começando a morrer.
Depois, quando já o havíamos levado de urgência para o hospital, quando estava na UTI e falei com o chefe dele e a esposa, ficamos sabendo que mais de uma vez havia tido dores semelhantes, mais leves, porém, sem nunca procurar um médico.

A moça que estava dando faxina aqui em casa, não sabia que lado ficava o coração.
É uma moça esperta, letrada. Vê televisão, revistas, de vez em quando o jornal. Mas não sabe, em seu próprio corpo, onde fica a parte principal do motor.
"Fica do lado esquerdo", respondi quando me perguntou. "Mais para o centro". E vendo que ela pousava a mão no peito, incerta, "é onde bate", acrescentei bobamente querendo simplificar.
A mão dela passeou do lado esquerdo para o direito, subiu um pouco, desceu um tanto. " Bate por toda à parte!”
E a seu modo estava certa.
Talvez na imaginação dela, por pulsar em toda parte, o coração desobrigava -se de ter moradia fixa.

Será que aquele homem sabia onde ficava o coração? Talvez soubesse. Talvez preferisse não saber. O coração mata. O coração como o meu carro enguiça, mata.
E as coisas que matam a gente finge nem saber que existem.
Quando o coração dele doeu à primeira vez, preferiu acreditar que era o estômago. Dava para acreditar. E o estômago, mesmo quando dói, raramente mata. Do estômago pode-se saber onde fica, sem correr grandes riscos.

Se eu disser à moça aqui de casa que ela usa aliança no anular esquerdo pq os antigos romanos acreditavam que um nervo o ligava diretamente ao coração, órgão do amor, é provável que ela nunca mais esqueça o lado certo.
As coisas boas são fáceis de lembrar.

Não reparei se o homem na garagem usava aliança de casado...e certamente não teria sido a hora de falar dos romanos . Nem sei se ele tinha alguma dúvida em localizar o coração. Mas de uma coisa tenho certeza: aquilo que ele preferia não saber, seu corpo sabia com absoluta precisão. Seu corpo sabia que a dor não era de estômago, que o sangue não estava chegando como devia ao coração, e que se algo não fosse feito ele provavelmente morreria.


Isto, que ele foi incapaz de me dizer, seus olhos, sem medo de saber, me disseram.


Sexta-feira














Os dias são outonos: choram...choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, o meu amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...



(poema de Florbela Espanca)

Terça-feira

De dentro do clitóris - Drummond

Lamentável o mundo não ser um grande clitóris bem massageado......Tanto prazer concentrado. Por que modestamente então meu corpo não poderia sê-lo inteiro?












Por que me renegaram o prazer a uma tão mínima parte?
Ah....se todos os pontos dos meus dedos, se todas as ínfimas partes fossem tão generosas e sensíveis
ao bem ....massageado ......mexer , mexer e o desejo extrapolando em gritos involuntários....
sem pudores burocráticos que se vestem de tristeza porque o mundo feito de dor acostuma-se com a ausência dessa concentração de vasos sanguíneos dilatados que extrapolam todo o prazer......












não quero o cansaço das horas medidas nos cartões de pontos.... quero o suor do orgasmo descomprometido que exala do quase não caber em meus gestos desajeitados que impedem de recusar a aflição de tal satisfação......
porque dizem que a natureza é perfeita????.....quanto engano.....me lamento agora ao fato de terem destinado a uma parcela tão mínima de meu corpo o ápice do constrangimento máximo do orgasmo....














quero agora transformar o mundo numa grande vagina despudorada e ter a sensação de que todos caminhos serão feitos de risinhos compartilhados.......Adeus a imensa massa de infelizes que se satisfazem com uma vidinha de merda.

Sábado

Uma mulher entra no aeroporto, sozinha. Vai fazer o check-in. Senta-se e aguarda o horário do seu vôo.
O tempo da espera passa. Enquanto isso, outra mulher entra no avião, sozinha também. Acomoda-se na sua poltrona. Desliga o celular e espera o início do vôo.
O vôo começa.

Charada: qual das duas está mais sozinha?
Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao aeroporto sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi.
Muitas mulheres já viveram isso - e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, vai ao cinema, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento - há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha.
Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes - sozinha - mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo.
Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha em uma aeroporto por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?
Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxemos...
A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.

Quinta-feira














Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhã.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observaro desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.

(Elisa Lucinda)

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Quarta-feira

Existem duas dores de amor:

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A primeira é quando a relação termina e a gente,seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados naquele amor, que não conseguimos ver uma luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços.
A dor de virar desimportante para o ser amado.

Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos.

A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa.

Dói também... Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.

Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida...Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega.
Faz parte de nós

Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a 'dor-de-cotovelo' propriamente dita.
É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra.
A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate, de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente... E só então a gente poderá amar, de novo.

Segunda-feira

Anonovo! Vida ...em acertos

Das flores para Yemanjá à uma mulher mais feliz

Pensamentos dispersos sobre o mar, o Ano Novo, mergulho e algumas decisões

Como quase todos os habitantes da cidade e a quase totalidade dos turistas que para cá vieram durante as festas, eu também fui até a praia na noite do dia 31, toda vestidinha de branco, estourar um espumante à meia-noite e jogar flores para Yemanjá.

Desde que me tenho por gente cumpro este ritual de molhar os pés no mar durante a passagem do ano; nas poucas vezes em que fui impedida de fazê-lo, não consegui evitar o sentimento aziago de que algo de muito ruim me aconteceria em breve.
Se o pressentimento chegou a se concretizar alguma vez não sei dizer, porque, felizmente, meu DNA está programado para dar preferência às coisas que me façam bem.

Como quase todos os habitantes do planeta, também, passei o dia seguinte em estado de torpor, espichada no sofá, sem ânimo para nada, exceto pensar no que nos leva a imaginar que a simples virada de uma folha do calendário, invenção humana sem qualquer relação com o divino ou com os ciclos naturais da terra, vai mudar o que quer que seja -- exceto o número do ano no dito calendário.

Pensei também nessa estranha relação com o mar que tantos de nós temos, e em como mar e praia são, com perdão do trocadilho, praias totalmente diferentes.
Não sou pessoa de praia, mas de mar. Não gosto de assar na areia mas gosto do sal e da água que o vento sopra na cara da gente; não há montanha russa que me dê uma fração da adrenalina que me dá um mar bem batido.

Gosto sobretudo de mergulhar; há poucas coisas mais lindas do que descer a uns poucos metros, sentar na areia e lá ficar, olhando uma ou outra tartaruga insone, peixes que não se vêem na peixaria e a luminescência da água, causada por facho de sol ou por seres tão minúsculos que tudo o que deles vemos é o brilho, como zilhões de confetes luminosos.

Depois de toda esta vã filosofia (não repare, estou meio passional por dentro), fiz, naturalmente, uma lista mental de decisões de Ano Novo.
Afinal, uma das principais utilidades do ano novo é dar às pessoas, a oportunidade de fazer seu próprio balanço existencial. Minhas decisões foram mais ou menos as mesmas de 2005 mas, como sempre, acredito que, em 2006, tudo vai ser diferente.

E o que é que eu decidi?


Bem, em 2006 eu vou, finalmente, tomar vergonha na cara e emagrecer o que estou precisando;

Vou passar a freqüentar a academia, que deixei de lado em meados do ano passado;

Vou manter a escrivaninha e, se possível, em ordem;
Vou renovar a carteira de identidade, vencida há cinco anos;
Vou reduzir a biblioteca ao essencial, aos livros que amo e aos que ainda não li;
Vou tentar passar menos tempo no computador e mais tempo com os livros, para ver se consigo pôr a leitura em dia;
Vou fazer uma última tentativa de reconciliação entre as minhas plantas desmilingüidas e os meus livros de receitas.

Está de bom tamanho, não? Se eu conseguir cumprir pelo menos uma dessas metas -- de preferência a primeira! -- serei uma mulher ainda mais feliz ao fim de 2006.

Tenha você também um ano feliz a seu modo.
Beijundas, pq adoro isso!


Domingo

Quêêêê???!!!

2006 já começou?!

Mas eu ainda estou com sono atrasado de 2005!!!
Vou voltar pra cama.

Sábado

Viva 2006!!
Tudo pronto
Comilanças

Sexta-feira

Cenas de praia
Crianças, saiam da frente do monitor!











Pois lá estava eusinha em Grumari, fotografando o povo que brincava na água com o poderoso celular da minha amiga...






Quando vi este casal replicante

Topless as vezes é o que há de comum em Grumari...
Mas não sei se o resto também é.
De qualquer forma...
Não se pode dizer que os dois não estavam aproveitando bem as férias... ;-)

Totalmente esquecidos do mundo e dos outros banhistas.
Que, vejam só, não estavam nem aí...

Quinta-feira

(dê um clique na figura para ler melhor e inteira)


...como fruta no sol, fico cheirosa e tenra, peço pra ser mordida.
Você sorri de leve, de leve me afaga como quem diz "espera. vai ser como eu quiser" e eu espero, ah, eu espero.
Você me toca e eu transbordo, quero só fechar os olhos e deixar coisas acontecerem dentro de mim, fico sensível a cada toque leve e sutil dos seus dedos, sua boca que se abre só de leve e promete um beijo e sua língua macia.
Fecho os olhos e adivinho onde você vai me tocar, se sua boca vai se aproximar do meu pescoço (será que você vai me afagar ou me prender?) ou se meus seios vão se encostar mais no seu peito?
Meu sexo parece o centro de mim, pulsa-pulsa.
Quando você olha nos meus olhos e diz em silêncio "quieta", eu já sei.
Me deixo estar, ficar, e você procura tranquilo um caminho até meus lábios mais escondidos, melados de tanto esperar.
Tremo e não sei se olho ou se me dedico ao escuro dos meus olhos fechados, que vêem cores e imagens de corredores, de quadros numa galeria, de tetos espelhados e mosaicos enquanto você respira meu cheiro e subitamente mistura sua umidade com a minha, sinto escorregar sua língua e não sei se sou eu ou se é ela que deslizam, que brincam, não sei se me movo ou se suspiro e grito, sei que é um caleidoscópio sensorial, montanha-russa.

Me confundo e não sei se quero mais ou menos, se gozo ou se desfruto mais, paro e continuo, me concentro e me distraio na sensação, rio e quero chorar, brinco de balanço.
Sinto suas mãos, seu suor me fazendo escorregar, mais fluida que água, salgada e doce, sou enguia, peixe, menina com medo, tenho medo de tanta entrega, de ser sua pra sempre, se ser sua naquele instante e me perder de mim.
Seus dedos brincam comigo como se eu fosse marionete, e eu estico fios, resisto, deixo, relaxo, fico tensa, sei-não-sei, quero mais e menos e quero sua boca, seu pau, seus braços, seus cabelos e olhos e sua voz no meu ouvido,me vê, pede, provoca, deseja, mete (por favor!) e me manda ficar quieta.
Me segura, enfia os dedos na minha boca, lambuza meu rosto, puxa meus cabelos, me morde e me fode, muito, forte, pára e espera, faz o que quiser, não me ouça, não, sim, não-não-não, mais e (ah) mais, sim, mais, assim, por favor, por favor.
Deixa eu me esfregar e me mexer, mas olha pra mim e diz"que cara linda, goza pra mim?"
Com esse ar doce e safado, enquanto se diverte me vendo desfalecer, sorrir boba e entregue como uma flor recém- colhida.

Quarta-feira

Noite Feliz (dê um clique na figura para ler)

Então? Cansou-se de ler sobre o escandaloso governo Lula?
Então, ouça...

Comprei o CD de Ana Carolina e Seu Jorge, que registra o show deles no Tom Brasil, em São Paulo, em agosto. Biscoito finíssimo. Ótimo presente de fim-de-ano.
Três preciosidades: a parceria de Ana Carolina e Tom Zé, na canção intitulada Brasil Corrupção (Unimultiplicidade). A regravação da música :‘Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo).
E o texto de uma das minhas musas inspiradora: Elisa Lucinda,
e que Ana Carolina passou a dizer em todos os shows e incluiu no CD.

Bem, é com esse texto e movida de tudo que lá está, deixo:
OH! OH! OH!
‘só de sacanagem’. rs
Aí vai:
video
Só de Sacanagem – Elisa Lucinda
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo,com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

vém. tá fresco.(dê um clique na figura para ler)


Não arranhão: soco seco no fundo da gente.
Não dor, não mágoa: uma tristeza molhada,
borrada de tanta possibilidade desfocada,
não concretizada,
de tanto porvir que não veio, que não vem
e será quando que virá meu deus?!

Um aperto forte sufocante,
abraço de polvo, massa disforme,
bloco mole de tristeza que despenca, pesado no chão...

Tanta coisa bonita dentro e quem pra querer entrar?
Tanto canto entalado saindo desafinado da garganta
já desaprendida desse cantar,
a gente querendo se dar e quem pra ler essa carta, pra abrir esse presente?

Segunda-feira